Por pouco, o comerciante Márcio José Fogaça, 22 anos, não dá um prejuízo em grande escala no sistema de emissão de fichas de vale-transporte em Curitiba. Márcio é acusado de montar em casa, no bairro Capão Raso, um esquema de falsificação de vales-transporte que poderia render, só na primeira emissão, R$ 7,5 mil. A tentativa de golpe foi revelada ontem na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas.
Márcio está preso desde quinta-feira passada, quando o plano foi descoberto após cinco dias de investigações. a partir de uma denúncia. O delegado Hamilton Cordeiro da Paz disse ter sido alertado de que nas próximas semanas poderia haver um derrame gigantesco de vales falsos na cidade. Márcio foi autuado em flagrante por estelionato e, se condenado, pode pegar até três anos de detenção. Ele já tem ficha criminal por uso de tóxicos.
Os policiais apreenderam na casa de Márcio seis matrizes de borracha que tinham as formas das fichas de vale-transporte. Os vales seriam forjados a partir de um material metálico conhecido por ‘‘liga izamaque’’. O material seria derretido num forno e ganharia a forma final numa centrifugadora. O investimento feito por Márcio na compra dos equipamentos, usados na produção de adornos em bijuterias, chegou a R$ 1,3 mil. Cada uma das dez barras de liga izamaque apreendidas pela polícia poderia ser transformada em mil fichas, o que renderia R$ 7,5 mil.
O delegado Hamilton da Paz disse que as investigações vão continuar. ‘‘Queremos saber se há outros envolvidos e se ele chegou a distribuir os vales na cidade’’, disse. Em depoimento, Márcio disse que todas as moedas que havia fabricado foram derretidas para novas ‘‘experiências’’, e que não tinha nenhuma amostra porque não queria correr o risco de um possível flagrante durante o transporte dos equipamentos para Curitiba. Ele planejou o golpe por três meses em sua residência de veraneio no município de Matinhos, no litoral do Estado. ‘‘Ele tentou arrumar um jeito de ganhar dinheiro sem precisar trabalhar’’, disse o delegado Hamilton.

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