Nem falso sequestro nem golpe do bilhete premiado. A nova moda dos estelionatários é aplicar na praça o golpe da falsa doação. A modalidade, já registrada em Estados como o Acre e Mato Grosso, teve o primeiro boletim de ocorrência registrado neste mês em Londrina. A vítima da tentativa de fraude foi o Hospital do Câncer.
De acordo com o administrador geral da unidade, Edmílson Garcia, no final de junho, um suposto doador de recursos entrou em contato com a instituição informando que teria feito um depósito de valor equivocado na conta da entidade. "Ele pediu que devolvêssemos parte do dinheiro. Mas fomos conferir e o envelope estava vazio quando o depósito foi feito", contou. Nesta situação, o falso depósito estava na casa dos R$ 16 mil. Já a quantia solicitada de volta pelos estelionatários era de R$ 5 mil.
Pouco mais de um mês depois, uma nova tentativa. Uma ligação foi recebida pelo hospital solicitando a devolução de parte de mais um depósito de doação. "Era de um cheque fraudado, que nem foi compensado", assinalou Garcia. A falsa doação era de R$ 21.980, sendo que os golpistas pediam de volta R$ 10 mil.
Os funcionários do Hospital do Câncer são treinados para averiguar situações deste tipo. O administrador reconhece, no entanto, que os estelionatários são bastante persuasivos no contato telefônico. E ele acredita que outras instituições possam ser vítimas da mesma tentativa de golpe. "Falam do comprovante do depósito e podem acabar convencendo algum funcionário de uma entidade de menor porte. No nosso caso, há um controle grande para pagamentos. O financeiro está todo avisado", observou.
Os casos foram registrados na 10ª Subdivisão Policial (SDP). O delegado operacional João Reis orienta que as entidades, hospitais e comércio procurem fazer sempre uma averiguação da veracidade dos depósitos antes de completar qualquer transação financeira com estranhos. "É preciso conferir se esse dinheiro entrou efetivamente na conta e se o cheque foi compensado", especificou.
Reis comenta ainda que, mesmo sendo difícil efetuar um depósito com valor errado, a prática não é impossível. "Por isso, sempre peça a solicitação formal, com informações e contatos das pessoas, e de preferência pessoalmente, com apresentação dos documentos", recomendou.

OUTROS GOLPES
Este não é o primeiro tipo de tentativa de fraude junto ao Hospital do Câncer de Londrina. No ano passado, estelionatários telefonaram para familiares de pacientes pedindo dinheiro para a suposta compra de medicamentos de alto custo. Em outra situação, golpistas enviaram um boleto em substituição ao emitido por uma empresa na qual o hospital fez uma compra. O pagamento cairia na conta da quadrilha. Em nenhum dos casos, entretanto, houve repasse de valores aos estelionatários. "Vire e mexe aparece algum golpe novo", lamentou o administrador do hospital, ao observar que a entidade não está num boa situação financeira. A unidade vem trabalhando com um deficit anual de R$ 5 milhões. "Só conseguimos avançar graças à credibilidade que temos com a comunidade", reforçou.

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