Falsa adepta denuncia lavagem cerebral
Há cerca de três anos, uma moradora de Campo Grande, cujo nome é mantido em sigilo pelas autoridades brasileiras, fingiu aderir à seita Moon para tentar ‘‘salvar’’ sua irmã mais jovem, que há alguns meses vivia com outros seguidores dentro da Fazenda Nova Esperança, no município de Jardim.
Durante mais de um ano e meio, ela participou da seita, conviveu com adeptos de vários outros países e foi obrigada a se submeter a tudo o que era imposto pelos representantes do reverendo. Quando conseguiu abandonar a doutrina e tirar sua irmã da fazenda, sofreu perseguição de seguidores, foi ameaçada de morte e passou a viver sob proteção da Polícia Federal.
Depois que deixou a seita, ela se consultou algumas vezes com o padre Rooswelt Medeiros, da paróquia de Bonito, e contou a ele tudo o que acontece dentro da fazenda. ‘‘Eles fazem lavagem cerebral. Logo que a pessoa entra na seita é obrigada, durante vários dias, a passar quase 20 horas seguidas num salão, onde funciona o templo. Lá, come pouco e ouve milhares de vezes por dia uma mesma frase. A mulher que fingiu fazer parte da seita disse que as pessoas chegavam às 4 horas da manhã e só saiam às 11 horas da noite deste salão. Ela só não sofreu o efeito da lavagem cerebral porque estava consciente do que queria. Ela ouvia tudo, participava de tudo, mas simulava concordar com tudo. Quando ela conseguiu sair e tirar a irmã daquele local, recebeu ameaça de morte. Disseram-lhe que ela deveria tomar cuidado pois estava prestes a sofrer um acidente de carro, revela o padre.
Os artifícios do reverendo Moon para aliciar pessoas e atrair novos adeptos ao seu rebanho de fiéis não param por aí. No ano passado, ele convidou vários representantes religiosos brasileiros para participarem de um congresso de uma semana sobre a seita Moon em Montevidéu, Uruguai, com direito a passagens aéreas de ida e volta, estadias em hotéis de luxo e refeições.
‘‘O reverendo Moon queria, com esse encontro, converter os religiosos em seus novos discípulos. Mas não conseguiu. Indignados com as palavras do homem que se considera o salvador do mundo, muitos participantes quiseram voltar para casa logo no primeiro dia do congresso. Mas aí foram informados que teriam que permanecer até o final do evento porque o reverendo se negava a pagar as passagens aos que pretendiam antecipar retorno’’, lembra Rooswelt. . Depois do encontro, alguns pastores denunciaram ter recebido ofertas de até R$ 100 mil para se converter ao pensamento de Moon.

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