Falhas no endereço dificultam vida de entregador
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sábado, 04 de julho de 1998
Guilherme Pupo 
Terezinha Krinski, rua Cândido Borsato, sem número, Ponta Grossa (Jardim Paraíso). A casa é a última desta rua. Ela é nova e de alvenaria. Na frente, no lado de dentro, sempre tem uma vaca pastando. Se for de carro, a entrada é pelo São Francisco. O endereço é real e foi retirado de uma correspondência enviada no dia 30 de novembro de 1993. Por incrível que pareça, a carta chegou a seu destino, pelas mãos de um carteiro.
O exemplo demonstra, além da criatividade do remetente, as falhas que existem nas numerações de casas e edifícios nas cidades. Em Curitiba não é diferente. O problema de endereçamento afeta desde carteiros e taxistas a motoqueiros que entregam encomendas, bombeiros ou motoristas de ambulâncias - profissionais que precisam no seu dia-a-dia do endereço correto e preciso com certa rapidez e urgência.
Encomendas - Isso atrapalha bastante o trabalho e quase todos os dias tem motoqueiro reclamando da numeração alterada, comenta o motoqueiro Eduardo Kozesinski, da empresa Colt Entregas Urbanas.
Segundo ele, uma das ruas mais problemáticas da cidade é a Guilherme Pugsley - via rápida que vem do Portão para o Centro. Uma vez tive que ficar olhando os números de todas as casas e voltei para a firma sem ter encontrado o endereço, conta.
Eduardo Kozesinski observa que o problema de numeração acontece geralmente em ruas muito longas, ou naquelas que são interrompidas por praças e continuam alguns metros depois. Às vezes é difícil achar o número até na lista de endereços. Com isso, atrasamos a entrega de encomendas e o cliente acha ruim, diz ele, que trabalha há quatro anos como motoboy.
O gerente da empresa, Daniel Cordeiro, diz que há numerações erradas principalmente nos bairros em volta do anel central - Capão da Imbuia, Cajuru, Centenário e Bairro Alto. Além da sequência errada, há muitos números repetidos na mesma rua, adverte.
Correios - Para o nosso trabalho, é fundamental que as ruas tenham o nome oficial escrito de forma certa e que as casas estejam numeradas corretamente, observa Carlos Henrique Richter, gerente de operações e logística dos Correios.
Segundo ele, além da numeração trocada ou da falta dela, os carteiros têm que conviver diariamente com cartas com endereços confusos ou mal endereçadas.
Para encontrar a residência, depende do empenho de cada um. Como eles fazem o mesmo trajeto todos os dias, acabam conhecendo os detalhes da região, comenta Richter.
Apesar de atrapalhar a rotina dos carteiros, a porcentagem de correspondências com problema é relativamente pequena. De 1,3 milhão de cartas que chegam a Curitiba todos os dias (45% do Paraná e 55% de fora do Estado), cerca de 45 mil vêm sem o Código de Endereçamento Postal (CEP) e com o endereço errado.
Nesses casos, as correspondências vão para unidades de pesquisa nos Correios. Se ainda assim o endereço não for localizado, as cartas são devolvidas ao remetente ou incineradas (caso não haja remetente).
Muitas vezes há coisas impossíveis de encontrar, totalmente fora do contexto da região, com nomes de pessoas desconhecidas ou número que não existem na rua, conta o gerente de operações e logística.


