Maigue Guetz,
Mônica Kaseker e
Agência Estado
O congestionamento foi grande nas centrais telefônicas em todo País no primeiro dia de funcionamento do novo modelo de discagem para as ligações nacionais e internacionais. Um balanço feito pela Embratel revelou que a taxa de congestionamento triplicou ontem, atingindo 14% das ligações interurbanas realizadas pela operadora. Mesmo com o conselho da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) para que o brasileiro evitasse as ligações de longa distância, o volume de chamadas dobrou. Houve picos de mais de um milhão de ligações por hora, quando o normal gira em torno de 600 mil. A empresa vai manter 1,5 mil técnicos de plantão durante o fim de semana para evitar panes.
No Paraná também houve congestionamentos de linhas e usuários irritados. Pela manhã, os quatro atendentes de plantão no telefone tira-dúvidas da Embratel (0800-90-2000) receberam 1.600 chamadas de todo o Brasil, sendo que 95% delas vinham de usuários do Paraná. Segundo os atendentes, a maioria reclamou de não conseguir completar a ligação mesmo discando corretamente. Houve congestionamento de linhas em todo o Estado e muitos usuários não conseguiram ligação nem mesmo para o telefone tira-dúvidas da Tele Centro Sul (0800-41-1414). A Folha tentou por mais de uma hora até conseguir.
O gerente do departamento de lojas da Telepar, José Eliseu Galva, admitiu que houve problemas. A desinformação de clientes gerou um grande número de ligações erradas, causando perda de 28% das chamadas por erro de discagem. Houve também falhas na programação de algumas centrais e os técnicos tiveram que fazer algumas correções durante a manhã. ‘‘Esperávamos mesmo alguns problemas e acho que estamos administrando bem. Mais de 600 pessoas trabalharam neste primeiro dia para adequar o sistema e diminuir a insatisfação do cliente’’, disse. Ele também admitiu que houve congestionamento no telefone tira-dúvidas, apesar da Tele Centro Sul ter colocado 120 pessoas para dar orientações.
A Tele Centro Sul atendeu 500 pessoas durante toda a manhã. De acordo Eliseu Galva, as principais dificuldades de conclusão de chamadas aconteceram em ligações para Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Também foi grande o número de problemas em telefones públicos e em ligações a cobrar.
O posto telefônico da Telepar no centro de Curitiba esteve um caos ontem pela manhã. Poucos sabiam usar o novo DDD e a maioria não conseguiu completar as ligações. ‘‘Já entrei em contato com a Embratel e eles disseram que estão tentando resolver o problema’’, justificava o funcionário Ezequiel Eli Pinheiro, lembrando que o maior problema eram as ligações para São Paulo.
Nos telefones, os usuários não conseguiam ligar para lugar algum. Com exceção do aposentado Joaquim Carlos Moriel, que ligou facilmente para Recife, ninguém mais conseguiu completar os telefonemas naquele posto. Irritada, a americana Amy Vanhaitsma, que tentava ligar para sua família em Michigan (EUA), reclamava em inglês, sem que os funcionários entendessem nada.
‘‘Eu ligo todos os sábados para a minha irmã e sempre consigo rápido’’, disse a doméstica Cléia Oliveira, cuja ligação só caía na gravação que avisa para consultar a lista ou dava ocupado. ‘‘Estou tentando em vários aparelhos, há uns cinco minutos, mas não completa’’, reclamava o fazendeiro Jairo Araujo, que queria ligar para Irapuru no interior de São Paulo. Ele acabou desistindo.Maioria dos pedidos de informação na Embratel era de paranaenses que não conseguiam completar as ligações interurbanas
Kraw PenasCuritibaUsuários irritados discavam corretamente e ligações não se completavamCésar AugustoLondrinaO funcionário público Gilmar Barbosa: confusão com os novos códigos

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