O olhar fixo no alvo, um voo rasante e o ataque certeiro. O falcão da espécie Falco Femoralis é a nova arma da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) no combate às pombas. Na próxima semana deverá ser realizada a contagem das aves que hoje infestam o Bosque e outros pontos da Área Central de Londrina. Em seguida está previsto um primeiro abate das aves. Então os falcões, predadores naturais, começarão a agir.
Segundo Anderson César Golçalves, que trabalha com falcoaria há cerca de 20 anos, a ideia não consiste em alimentar os falcões com as pombas, mas causar um estresse emocional para que elas abandonem a área urbana. ''Ele (o falcão) não vai caçar o pombo, mas vai espantá-lo atacando um pedaço de couro que imita essas aves (que será manejado pelo falcoeiro)'', explica.
O profissional afirma que a presença dos bichos no céu já é capaz de intimidar suas possíveis presas. Fazendo demonstrações com Ariel, fêmea de cinco anos de idade, o falcoeiro revela que são necessários pelo menos três meses de treinamento para que as aves possam ser utilizadas de maneira eficaz.
Segundo Gonçalves, ainda será determinada a quantidade de falcões utilizados, mas inicialmente se estuda a possibilidade de quatro a cinco aves. Readequar o comportamento dos pombos, fazendo-os voltar para a região de mata: esse é o resultado que Gonçalves espera com os falcões, cujo trabalho deverá se concentrar no Bosque.
O profissional explica ainda que a utilização dos falcões depende de uma série de trâmites legais, que ainda precisa ser atendida pela Sema. ''Há exigências do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), que serão atendidas com esse projeto, como a revitalização da mata ciliar. Assim, a médio e longo prazo haverá uma extensão maior da mata e, naturalmente, mais predadores, o que aumenta o controle'', argumenta.
Um teste com o falcão seria realizado nesta semana, mas foi descartado devido a uma questão comportamental. ''Se fizéssemos um teste já, as pombas poderiam criar maneiras de se defender, por isso sugeri que se faça primeiro o abate.''
Sem prazo
O trabalho de contagem das pombas vai registrar até mesmo os ovos depositados pelos pombos, afirma o secretário do Ambiente, José Novaes Faraco. Segundo ele, há interesse em formar parceria com o falcoeiro. ''Essa questão é de saúde pública, então a proposta é interessante.''
Faraco diz que, se comprovada a necessidade de se adquirir novas aves, o custo poderia ser assumido pela secretaria. ''O trabalho do Anderson (falcoeiro) é reconhecido pelo instituto, então deixamos à cargo dele que providencie a documentação necessária.'' Não há, no entanto, prazo definido para que os falcões comecem a ''trabalhar''.

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