''Esquece esse assunto, ficar falando só piora''. São conselhos bastante comuns dados a pessoas que sofreram perdas. E errados, de acordo com a psicóloga Maria Cecília Malaquias e a psicopedagoga Iara Coutinho, ambas de Londrina. Juntas, elas realizam o projeto ''Amigos na Dor''.
As profissionais afirmam que quem é privado de externalizar sua dor em relação à morte de uma pessoa próxima demora mais tempo para superar o problema. Ficar ''ruminando'' o assunto durante algum tempo -sonhar, pensar, falar sobre ele - é natural, dizem. Esse tempo costuma durar, em média, de um a dois meses. ''Se a pessoa tiver espaço para colocar tudo isso para fora, o sofrimento vai diminuindo. Caso contrário, pode se estender por anos e acabar precisando de tratamento'', alerta Cecília.
Ela explica que os indíviduos possuem ''sementes genéticas'' de doenças mentais e que o trauma causado pela perda de um familiar pode desencadear desde depressão bipolar até esquizofrenia. Lidar com o problema desde o início pode ser um caminho para uma evolução positiva. ''A gente tem respostas tão rápidas no grupo que chegam a nos surpreender. Alguns conseguem grandes melhoras com quatro sessões de terapia'', diz Iara.
Na avaliação das profissionais, nas camadas mais pobres da população ocorre uma certa ''desensibilização'' em relação à morte, pelo próprio ambiente de miséria e violência em que se vive. Nesse contexto, as pessoas acabam desenvolvendo um mecanismo para não sofrer a todo instante.
''A 'teoria do desamparo' coloca que as pessoas que vivem em locais de constante violência - seja uma favela, ou um país em guerra - acabam perdendo o sentido da vida porque sabem que, dentro ou fora de casa, podem morrer a qualquer momento'', aponta Cecília. Ela afirma que os cidadãos de baixa renda, por mais ''fortes'' que possam parecer, precisam de atendimento psicológico tanto quanto qualquer outro indivíduo. (V.N.)

Serviço:
Mais informações sobre o projeto ''Amigos na Dor'' podem ser obtidos pelo e-mail [email protected]
Sobre a Terapia Comunitária, informações com Maria das Graças Martini, pelos telefones (43) 3337-4456 e (43) 9101-3965.

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