Faixas lembram assassinato impune
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terça-feira, 01 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Depois de um ano do crime que acabou levando o estudante Cristian César Moretto, 19 anos, à morte, a família não suporta mais esperar por Justiça. Ontem os pais de Cristian espalharam 20 faixas pela Cidade lembrando o caso, que no dia 12 completa um ano, em mais uma tentativa de agilizar o processo de apuração do crime. A revolta da família é que os irmãos Joel e Rubens Mendes de Queiroz, de 30 e 32 anos - assassinos confessos - continuam livres.
É deprimente, angustiante ver os assassinos gozando de liberdade depois dessa tragédia, lamenta a mãe de Cristian, a funcionária pública Nadir de Medeiros Pereira. É uma mistura de sentimentos que nem dá para falar. No dia 12, segundo ela, a família pretende fazer outro tipo de manifestação na tentativa de sensibilizar as autoridades envolvidas no caso.
Cristian César Moretto foi baleado num bar da vila Siam (zona leste). Ele foi atingido nas nádegas. O tiro perfurou o instestino grosso, provocando uma infecção generalizada que, por sua vez, resultou em uma crise renal aguda, convulsões e coma. O estudante morreu no dia 17 de abril, depois de passar cinco meses hospitalizado, três deles na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Depois disso, segundo a mãe, o estudante viveu em estado vegetativo entre a casa e o hospital.
Joel e Rubens Mendes de Queiroz começaram a atirar, conforme Cristian teria contado à mãe antes de entrar em coma, porque algumas pessoas do bar cumprimentaram uma moça que estava com os dois irmãos. Dentro da lanchonete os tiros atingiram também Charles Roger da Silva, de 26 anos, e Edenildo Rodrigues da Silva, de 22 anos. Os irmãos teriam continuado a tirar enquanto fugiam e acabaram batendo em um veículo e ferindo o condutor.
O inquérito do crime teve vários problemas que atrapalharam as
investigações. Primeiro foi a troca de delegados quando o titular do 2º Distrito se aposentou e Antonio Zuba de Oliva assumiu o caso. Depois os autos do processo sumiram por 19 dias e ainda houve demora na conclusão de
laudos pelo Instituto Médico Legal (IML) que concluiu os exames em novembro, quatro meses depois do crime.
O inquérito agora, segundo o delegado Antonio Zuba de Oliva, depende apenas de exames complementares de lesões corporais em Charles Roger da Silva. Mas ele não está nem aí com o trabalho da Polícia, reclama o delegado. Zuba de Oliva afirma que o exame deveria ter sido feito no dia 16 de março quando Charles pegou a requisição para isso.
Depois de intimá-lo pela segunda vez, o delegado aguardava Charles ontem à tarde. Só que o rapaz não apareceu. Zuba de Oliva pretende expedir hoje mandado de condução coercitiva com a finalidade de obrigá-lo a ir até o Instituto Médico Legal para fazer os exames. Ele tem que apresentar uma boa desculpa para não ter feito o exame. Se não fosse isso o inquérito já estaria concluído, afirma.
Zuba de Oliva calcula que assim que Charles Roger fizer os exames complementares, o inquérito será encerrado em três ou quatro dias. Concluído, ele será encaminhado ao Fórum. A Justiça vai decidir se pede ou não a prisão dos responsáveis pelos tiros.


