Muitas dúvidas e opiniões divididas marcaram o início da faixa exclusiva para ônibus, ontem, no trecho da Rua Professor João Cândido entre Avenida Juscelino Kubitschek e Rua Benjamin Constant (Área Central de Londrina). Motoristas que trafegam pela via e passageiros do transporte coletivo aprovaram a medida que reserva a faixa da direita apenas para o fluxo de ônibus e táxis com passageiros. Já alguns comerciantes reclamaram pela extinção dos estacionamentos - mesmo problema apontado por motoristas que tentaram estacionar em vagas de Zona Azul e não conseguiram.
Desde o início da manhã, agentes de trânsito e fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) orientaram motoristas sobre as mudanças. Além de faixas e panfletos distribuídos nos semáfaros, os funcionários do órgão trabalharam com sinalização manual. Apesar do cuidado, foi grande o número de desavisados que invadiram a via reservada ao transporte coletivo.
Durante essa semana, a CMTU vai fazer apenas a orientação sobre as mudanças. A partir da semana que vem, motoristas que utilizarem a faixa da direita ou estacionarem em locais proibidos entre as 7 e as 19 horas durante a semana, e entre as 7 e as 14 horas aos sábados, poderão ser multados em R$ 53. As faixas poderão ser usadas para conversão e embarque e desembarque de passageiros durante todo o dia.
''O movimento está tranquilo. A maior dificuldade é fazer os motoristas perceberem que não podem trafegar pela direita'', avaliou o diretor de Trânsito e Transportes da companhia, Wilson de Jesus. Segundo ele, a linha 202 já registrou uma economia de 11 minutos no percurso. ''A cidade está crescendo, essas medidas são muito necessárias.''
Usuários
Usuária do transporte coletivo, a vendedora Maria Nascimento se surpreendeu ao perceber que a linha que usava não chegaria mais à Rua Hugo Cabral. ''Vou ter que andar um pouco, mas, apesar da distância, achei que a mudança foi boa porque o ônibus chegou mais rápido.'' Essa é a mesma opinião de Cícera dos Santos, que ganhou alguns minutos e conseguiria chegar no horário ao consultório médico onde receberia atendimento. ''Ficou bem melhor, podiam fazer a mesma mudança em outras ruas movimentadas.''
Acostumado a perder tempo no trânsito, o auxiliar de serviços gerais Valdomiro Soares aprovou a mudança. ''Agora não tem mais congestionamentos e motoristas atrapalhando o trânsito a procura de vagas'', observou ele, que não vê problemas na falta de estacionamento. ''Se não encontro lugar, coloco o carro em estacionamentos particulares.''
A dentista Viviane Mestre também costuma recorrer aos estacionamentos particulares por não encontrar vagas na rua. Por isso, não percebeu diferença na hora de parar o carro. ''A mudança foi muito boa, o trânsito está fluindo rapidamente.''
O empresário Paulo Henrique Luciano lamentou ter que desembolsar R$ 2 em um estacionamento particular para ficar apenas 15 minutos. ''É muito caro, mas como tenho de vir frequentemente ao Centro, não tenho como fugir'', disse ele, que considera utilizar ônibus uma opção impraticável. ''É muito demorado.''
Comércio
Entre os comerciantes, as opiniões estavam divididas. Proprietários de lojas de confecção na João Cândido, Moisés Moreira de França e Levi Trindade, não acreditam que a falta de estacionamento vá prejudicar a atividade comercial. ''Os clientes normalmente andam pelo Centro, não param aqui na frente para comprar'', disse Trindade, que mora na rua e aprovou o trânsito menos congestionado. ''Tinha dias que não conseguia tirar o carro do estacionamento do prédio. Agora ficará mais fácil.''
Milene Oliveira, gerente de uma loja de cosméticos, avaliou que a mudança causou queda no movimento. ''Os motoristas passam rápido e não reparam na loja'', disse ela, que teme prejuízos. ''espero que seja um período de adaptação e que o movimento volte ao normal.''
O comerciante José Antônio Machado, que recolhe assinaturas para um abaixo-assinado contra a faixa exclusiva, contabiliza que os prejuízos poderão chegar a 20% nos próximos 45 dias. ''Sem estacionamento na rua, os clientes vão preferir o shopping'', acredita. Segundo ele, os comerciantes estão em negociação com a CMTU para conseguir liberação de vagas pelo menos para carga e descarga.

mockup