Faep pede ação contra as ocupações de terra
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
CURITIBA - A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) divulgou uma nota em que chama a atenção das autoridades para as ocupações de terra que estão acontecendo em todo o País, e particularmente no Paraná. Os produtores rurais paranaenses mantêm, ainda, a chama da convicção de que os Poderes Públicos cumprirão com seu dever, diz a nota, publicada ontem nos principais jornais do Estado. Confiam que o Estado saberá exigir o respeito à lei e às instituições nacionais, defendendo o direito constitucional do cidadão, rural ou urbano, de continuar trabalhando com segurança, no verdadeiro exercício da democracia.
Os produtores rurais argumentam que a agropecuária vem sendo sustentáculo e lastro do programa de reformas econômicas, apesar das severas perdas de renda e empobrecimento, por conta dos desacertos na política agrícola. Na nota, a Faep analisa que esses desacertos provocam êxodo rural, desemprego no campo, redução no preço das terras, desânimo e desconfiança, enquanto aumentam as invasões. Até o final do ano passado, existiam no Paraná 77 ocupações cadastradas pelo Incra, com 8.514 famílias, além de quatro acampamentos em beira de estrada, com 2.680 famílias.
Para a federação, as ocupações não são espontâneas ou motivadas por dificuldades conjunturais de sobrevivência. Na realidade, tratam-se de ações de natureza ideológica, em processo planejado, anunciadas previamente por líderes perfeitamente identificáveis, em impune afronta à lei, registra a nota. Os produtores rurais chamam a atenção das autoridades, por entender que a questão principal não é apenas o direito de propriedade, mas questiona-se abertamente a ordem pública, o estado de direito e a paz social; ou seja, questiona-se a própria democracia.


