Faculdades vivem impasse da estadualização
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sexta-feira, 07 de março de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
A vida acadêmica de 470 calouros do Noroeste do Paraná está nas mãos do governador Roberto Requião (PMDB). Eles aguardam a publicação do decreto nº 6779, que estadualiza a Faculdade Intermunicipal do Noroeste do Paraná (Facinor), em Loanda (102 km a oeste de Paranavaí), a Fundação Faculdade Luiz Meneghel (FFALM), em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), e a Escola Superior de Ciências Agrárias (Esca), em Guarapuava. O impasse está no fato de o decreto ter sido assinado pelo ex-governador Jaime Lerner (PFL) no apagar das luzes de sua administração, em 27 de dezembro do ano passado. ''Espero que o governador mantenha a estadualização'', disse o radialista José Ademir Ferreira, 27 anos, que fez o vestibular para o curso de Letras na Facinor.
Somente depois de passar no vestibular e na hora de fazer a matrícula é que ele ficou sabendo que a faculdade não foi estadualizada e que teria que pagar R$ 175,80 pela mensalidade do curso de Letras. ''Não tenho condições de pagar este valor'', afirmou o radialista. Até agora Ferreira e outros 190 calouros dos quatro cursos da Facinor - Pedagogia, Letras, Administração e Enfermagem - estão sem matrícula.
A decisão de não fazer as matrículas partiu da diretora da faculdade, professora Alba Aparecida Matarezi Pinheiro. Ela consultou a Promotoria Pública porque muitos candidatos prestaram concurso com base na estadualização. ''Estamos esperando que o governo se manifeste e publique o decreto o mais rápido possível'', admitiu ela. Entretanto, reconheceu que ''o nó legal é grande'', salientando que ''se houve engano, não foi por parte da instituição''.
De acordo com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a estadualização das faculdades de Loanda, Bandeirantes e Guarapuava não ocorreu por falta da publicação do decreto assinado pelo ex-governador Jaime Lerner. O caso está sendo avaliado pelo governador, Roberto Requião, e ''poderá ser liberado a qualquer momento''.
Situação semelhante à faculdade de Loanda passa a FFALM, de Bandeirantes. Cerca de 1500 acadêmicos estão em aula desde 17 de fevereiro sem pagar mensalidades. Segundo o diretor Eduardo Rando, a instituição não está fazendo a cobrança este ano por conta do anúncio da estadualização em dezembro passado. ''Estamos na expectativa de que neste mês as coisas se definam'', afirmou Rando. Porém, reconheceu que estão no tempo limite. ''Os salários estão em dia, mas senão houver uma definição, problemas poderão ocorrer''.
Das três faculdades, a única que está em situação confortável é a Esca, que desde o ano passado foi incorporada à Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). O reitor, professor Carlos Alberto Gomes, salientou que ''na prática, os dois cursos (Agronomia e Medicina Veterinária) estão funcionando como estaduais''. Hoje, segundo ele, a Esca é apenas uma figura jurídica. Entraram na Esca este ano 100 calouros.


