Dimitri do Valle
De Curitiba
A Secretaria de Ensino Superior (Sesu), do Ministério da Educação, vem enfrentando uma avalanche de pedidos para criação de novos cursos universitários privados em Curitiba. De 1996 até o momento, a Sesu já catalogou a entrada de 242 processos vindos da capital do Estado. Deste total, apenas sete cursos receberam autorização do MEC para entrar em funcionamento.
O período de maior apresentação de pedidos aconteceu em 1996, um ano antes da aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Foram 147 solicitações. Só em 1999 já deram entrada na Sesu outros 11 processos. O tempo médio de aprovação depende das exigências que o aspirante a dono de faculdade terá de cumprir. Entre elas, estão a formação do corpo docente e a infra-estrutura necessária para o funcionamento do curso.
Para o presidente da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Appel, o interesse maciço pela abertura de cursos particulares deve-se as liberdades previstas na LDB. ‘‘A nova legislação liberou estas escolas de apresentar uma documentação mais exigente’’, afirmou. Appel não é da opinião de que se deva impor todos os obstáculos possíveis para evitar a proliferação de faculdades.
‘‘O Conselho Nacional de Educação não precisa criar todos os impedimentos, mas há um certo consenso que as facilidades são muito grandes. Abrir uma escola hoje é algo relativamente simples’’, acrescentou o professor Emanuel Appel, filófoso por formação. No início do ano, alunos que optaram por prestar o vestibular na recém criada Universidade Campos de Andrade (Uniandrade) acabaram se incomodando. A instituição lançou cerca de 7 mil inscrições para o concurso, mas os inscritos chegaram à metade do esperado e muitos cursos não puderam ser lançados por falta de candidatos.
Emanuel Appel acredita que a tendência atual é de que os parcos recursos remetidos às instituições públicas de ensino superior abram cada vez mais espaço para o aparecimento de novos cursos privados. Estes são criados apenas com uma intenção lucrativa. ‘‘O que nós vemos é a exaltação do estado mínino e elogios às regras do mercado’’, analisou.
O representante de uma das faculdades particulares que se prepara para realizar o primeiro vestibular acredita que o crescimento das universidades privadas está acontecendo porque existem poucas instituições de ensino superior públicas no País.
‘‘Em Curitiba só existe a Universidade Federal para uma população de dois milhões de habitantes’’, lembrou. Edgard Melech, coordenador do curso de comunicação das Faculdades Hoyller, de São José dos Pinhais, acha que as instituições pagas cumprem um papel social importante ao abrir a oportunidade para aqueles que não conseguiram ingressar numa universidade pública.
A Hoyller realizará o primeiro vestibular no dia 25 de julho para Jornalismo e Publicidade e Propaganda. São 70 vagas para cada curso. No mês passado, o MEC autorizou a criação do curso de Comunicação Social da faculdade. Edgard Melech estima que Curitiba comporta o aparecimento de mais cursos particulares. ‘‘O espaço existe e não é só por aqui. O cidadão tem o direito de estudar numa faculdade’’, defendeu.

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