São Paulo - Em matemática, os estudantes aprendem a fazer contas básicas com frações, porcentagens, proporções e regras de três. Em língua portuguesa, as lições são sobre os acentos, sobre o plural e a grafia correta das palavras. Temas tão elementares como os listados acima, antes restritos à programação dos colégios, agora aparecem na grade curricular de faculdades e universidades particulares do país.
As instituições decidiram oferecer aulas de reforço depois de perceber que um número considerável de seus alunos sofre para acompanhar cursos de Direito, Letras, Administração, Engenharia. ''Os alunos são cada vez mais limitados. Não conseguem seguir o curso, vão ficando para trás. Precisamos ajudá-los de alguma forma. Como um aluno de engenharia vai ser aprovado em cálculo se não sabe o básico do básico da matemática?'', argumenta o professor Antonio Sylvio Vieira de Oliveira, que coordena as aulas de reforço de matemática da UnG (Universidade Guarulhos).
Na Grande São Paulo, também têm reforço os estudantes da Uniban (Universidade Bandeirante), da Uni Sant'Anna (Centro Universitário Sant'Anna) e da faculdade Alfacastelo. No Rio, a tendência é seguida por instituições como a UniverCidade (Centro Universitário da Cidade).
Os universitários com as maiores deficiências vieram das escolas públicas. A qualidade da rede de educação do governo é muito inferior à dos colégios particulares, como mostram as avaliações feitas regularmente pelo próprio Ministério da Educação. Soma-se a isso o fato de parte das escolas públicas adotar a chamada progressão continuada. Por esse sistema, adotado pelas escolas do Estado e do município de São Paulo, as crianças e os adolescentes são aprovados automaticamente no fim do ano, mesmo que não tenham aprendido os conteúdos ensinados ao longo do ano.

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