Curitiba
Depois de 41 anos pulando seguidamente de um endereço para outro, a Faculdade de Artes do Paraná (FAP) acaba de receber oficialmente um espaço definitivo para se instalar. O governador Jaime Lerner inaugurou ontem o prédio reformado para sediar a FAP, onde funcionava anteriormente o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), na Rua dos Funcionários, no Cabral.
Apesar de a inauguração oficial ter sido apenas ontem, a FAP já está instalada no local desde março. Três dos cinco cursos mantidos pela instituição já estão funcionando nos dois edifícios - que juntos têm área de três mil metros quadrados - disponibilizados na primeira etapa de implantação. Apenas os alunos dos cursos de Dança e de Teatro ainda continuam tendo aulas na Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra.
A segunda fase do projeto, que vai permitir a transferência integral da faculdade, será executada depois da mudança definitiva dos laboratórios de produção de vacinas para a sede do Tecpar na Cidade Industrial de Curitiba.
A idéia do projeto arquitetônico, assinado pelo arquiteto Oscar Mueller, é também incrementar os recursos urbanos da Rua dos Funcionários, revitalizando espaços de acesso, de trabalho e de manifestações artísticas.
A sede definitiva vem contribuir para reverter o índice de evasão de 40% em 1995 e para a retomada de um trabalho mais produtivo por parte da FAP. ‘‘Já vivemos num caos, com professores se demitindo e um ambiente de completo desestímulo. Mas com as novas e - o que é mais importante - definitivas instalações, esperamos investir em cursos de pós-graduação, pesquisa e extensão’’, disse o diretor da faculdade Lydio Roberto da Silva. A FAP foi criada em março de 1956, como Conservatório Estadual de Canto Orfeônico, e de lá para cá teve várias sedes e denominações.
Para as alunas de Artes Plásticas Michele Hecke e Matilde Crocetti, as instalações estão excelentes. ‘‘Enquanto estávamos tendo aulas na Universidade Livre do Trabalho, até para ir ao banheiro era preciso pedir favor. Não tínhamos espaço para nada’’, lembram. O desânimo dos alunos era tamanho que, dos 30 alunos iniciais do curso de Artes Plásticas, só 10 estão cursando hoje o terceiro ano. ‘‘Mas já ouvimos muita gente dizer que vai voltar por causa do novo prédio. Eu mesma já estou me preparando para fazer o curso de Musicoterapia, quando terminar este’’, adiantou Matilde.

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