Facilitando a vida dos filhos
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Fazer mais pelos filhos e ainda reduzir o impacto no orçamento doméstico. Foi a oportunidade oferecida a pais de portadores de necessidades especiais durante o curso de mobiliários adaptados em PVC, realizado no último final de semana, no Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece). O evento reuniu mais de 30 participantes que aprenderam a confeccionar mobiliários sob medida para crianças com distúrbios neuromotores.
A idéia surgiu durante as aulas da terapeuta ocupacional Grace Claudia Gasparini, na Universidade Dom Bosco, em Campo Grande (MS). O objetivo da professora, que trabalha há 24 anos com crianças com disfunção motora, era encontrar uma forma de baratear o custo dos equipamentos usados pelos deficientes. ''No começo, a gente trabalhava a reabilitação com objetos de madeira, mas era inviável, principalmente pela mão-de-obra cobrada pelos marceneiros. Foi aí que surgiu a idéia de trabalhar com PVC, que é mais barato e mais prático para adaptar às necessidades da criança.''
Em um ano, foram produzidos sete equipamentos: cadeira para vaso sanitário, estabilizador de tronco para postura sentada no chão, andador e mesa reguláveis, cadeira para sentar a 90 graus com mesa acoplada, cadeira rolo com mesa acoplada e banco com apoio para banho.
''Estes equipamentos custam um terço do que custavam os de madeira. Outros importados ou mesmo produzidos aqui no Brasil chegam a até R$ 2 mil. É impossível para uma família carente arcar com uma despesa dessas. Até mesmo quem tem melhores condições financeiras participa do curso, porque acaba economizando nos equipamentos e investindo mais na terapia'', afirma Grace.
De acordo com a terapeuta, o preço dos mobiliários em PVC não é a única vantagem. ''A peça é produzida de acordo com as medidas da criança, e isso facilita a questão da postura, fundamental no trabalho de reabilitação. Sem contar o envolvimento dos pais, que ficam muito felizes em fazer algo pelos filhos''.
A felicidade estava estampada no rosto da psicóloga Fabiana Lopes, uma das mães que participava do curso. Ela observava atenta a produção dos equipamentos, e já havia escolhido o ideal para a necessidade da filha. ''Gostei muito da cadeira de banho. Minha filha é muito grande, quase do meu tamanho, então a gente tem muita dificuldade em dar banho nela. Vamos tentar fazer uma dessas em casa e colocar ela para participar do processo de produção também, porque é importante o envolvimento'', avalia Fabiana.
Para a psicóloga, os equipamentos produzidos com PVC têm a mesma eficiência dos importados, com muitas outras vantagens. ''Os importados são bem mais caros. Já aconteceu comigo de quebrar uma peça e ter que ir buscar em São Paulo. Da forma como está sendo feito aqui, o mobiliário é adaptado às medidas da criança e, como os pais participam da fabricação, eles mesmo podem corrigir possíveis defeitos''.
O curso de produção de mobiliários adaptados em PVC fez a terapeuta ocupacional Eleni Mendes de Moraes viajar mais de 500 quilômetros. Ela veio de Artur Nogueira, interior de São Paulo, para conferir como funciona a fabricação dos equipamentos e implantar no local que trabalha.
''É uma idéia que atende as nossas necessidades, porque a gente trabalha em Apaes e lida com pessoas de baixo poder aquisitivo. É uma forma excelente de levar essa tecnologia a quem não tem acesso. Cada criança que tem uma necessidade especial precisa de equipamentos personalizados. Estaremos facilitando o universo dela com algo simples e gostoso de fazer. Com certeza o resultado vai ser muito bom'', prevê a terapeuta.


