A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) pode recomendar a alteração de fachadas de condomínios e prédios da cidade como forma de evitar a acomodação de pombos na Região Central de Londrina. A medida deve integrar o programa de diminuição da população das aves, que deve ser iniciado em 15 dias, com a contagem dos animais.
Apresentado pela secretaria há quase três meses, o projeto para retirada dos pombos ainda não tem previsão para ser concluído. A iniciativa visa diminuir os riscos de transmissão de doenças respiratórias e de parasitas como piolhos, além da redução da sujeira, proveniente das fezes das aves.
Segundo a assessora de gabinete da secretaria, Anne Christina Hilcel, uma parceria com universidades de Londrina deve permitir a realização de uma espécie de senso qualitativo das aves, como forma de identificar hábitos dos animais, facilitando a retirada. As atividades devem ser iniciadas dentro de duas semanas. ''Vamos quantificar a população e fazer um reconhecimento de que tipos de árvores os pombos gostam de frequentar. Com este trabalho nas mãos, poderemos promover o plantio destas árvores em fundos de vales e regiões menos povoadas, atraindo os animais'', explicou Anne.
A instalação de dois pombais na região central da cidade e na Zona Oeste além da retirada de parte das aves também estão previstas pela secretaria. ''Dependemos de uma definição de ordem arquitetônica para definir a instalação dos pombais. Já a retirada exige uma autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama)''.
Recomendações de mudanças na arquitetura de fachadas de prédios não estão descartadas pela Sema, já que muitos condomínios apresentam desenhos que favorecem a acomodação dos pombos em janelas e marquises, entrando em conflito com o projeto de retirada. ''Conversaremos com os condôminos e podemos sugerir coisas simples, como a colocação de redes em janelas'', disse Anne.
É o caso de um condomínio localizado na Rua Maranhão (Área Central). As pequenas janelas na lateral do prédio facilitam a construção de ninhos e os ocupantes de uma pequena galeria junto ao condomínio sofrem com as consequências. O corredor de acesso à galeria fica exatamente abaixo das janelas e serve de ''banheiro'' para as aves.
''Temos que pagar uma faxineira para que ela limpe o corredor pelo menos três vezes por semana. Caso contrário, não há como ficar aqui. O cheiro é muito forte, principalmente no calor'', diz o contador Sinvaldo Lima, que trabalha em um escritório na galeria.
Além de terem que se defender das fezes dos animais, a preocupação com doenças é constante. ''Quando um dos pombos morre nas janelas, a situação é ainda pior. Eles apodrecem e vermes começam a despencar'', conta Lima.
O vice-síndico do condomínio, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem da Folha que os condôminos não descartam a possibilidade de mudanças na fachada do prédio. ''Pelo que sei, isso nunca foi discutido nas assembléias. Mas se a secretaria sugerir e for viável, faremos o possível para colaborar com o projeto para a retirada das pombas'', afirma.

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