Curitiba - O advogado criminalista Dálio Zippin Filho, do Conselho de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), disse ontem que metade do total de presos das unidades penitenciárias do Paraná faz parte ou é simpatizante de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Comando do Paraná (PCP).
Ele prevê que se as autoridades não fizerem nada imediatamente, estas facções vão acabar dominando as cadeias, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro. ‘‘As autoridades precisam parar de se omitir e tentar desvirtuar a situação, que é grave. Temos que impedir o crescimento das facções criminosas e não esconder a existência delas’’, sugeriu ele.
A situação mais grave seria a da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Zippin afirmou que recebeu dezenas de cartas de presos contando como as facções criminosas agem e os planos que traçam dentro e fora das cadeias. ‘‘Eles não têm apenas internos de penitenciárias. Eles têm o domínio dos que saem também. Eles planejam assaltos, sequestros e fazem inúmeras ações dentro e fora das cadeias.’’
Entre as formas mais eficazes de ação dos líderes do PCC para a captação de simpatizantes seria a oferta de advogados para rever processos judiciais. Depois de integrar o grupo, o interno é obrigado a contribuir mensalmente e a seguir as normas impostas pela liderança. ‘‘Eles buscam a simpatia por uma lacuna criada pela falta de agilidade na busca de advogados. Se o Estado tivesse meios de garantir a revisão de penas, por exemplo, 40% dos internos sairiam das cadeias. O que o PCC faz é dar apoio jurídico aos irmãos.’’
Atualmente, a PCE tem sete advogados. Uma média de um advogado para cada 200 presos. O mínimo previsto por Dálio Zippin deveria ser de um para cada 100 presos.

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