Faça Você Mesmo ganha fãs no Brasil e se firma como hobby
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 1998
Anna Camanducaia 
Na hora de modificar a casa, fazer reparos ou inventar novos equipamentos, muita gente prefere arregaçar as mangas a contratar um profissional. O conceito do Faça Você Mesmo, bastante difundido nos Estados Unidos e na Europa, está ficando mais forte no Brasil.
Em Curitiba, a prática nasceu há três anos, quando surgiram as primeiras lojas que vendem acessórios para os experimentos em casa. A primeira a chegar foi a Peg & Faça, que hoje recebe oito mil clientes por mês e oferece quatro mil itens, entre material de marcenaria, hidráulica e elétrica.
Acostumados a chamar um profissional cada vez que há um probleminha em casa, muitos brasileiros ainda acham que nunca conseguirão resolver as agruras da vida doméstica. Quem não gosta de arriscar sozinho pode receber orientações em lojas especializadas, cursos ou em publicações mensais que dão dicas de como se virar em casa. Uma das principais publicações da área é a Bricolage Casa, editada pela Associação Brasileira de Franchising.
Segundo o proprietário da Peg & Faça, a maioria dos problemas elétricos e hidráulicos podem ser resolvidos por conta própria. A pessoa percebe que o que parecia impossível é muito simples, diz. Além de solucionar os problemas da casa, o Faça Você Mesmo também é lazer.
O professor universitário Antonio Urban, 50 anos, é uma mistura de artesão e carpinteiro. Sempre que tem tempo, vai para seu refúgio: o ateliê montado na própria casa. É um lugar amigo e acolhedor, onde me sinto bem recebido, diz Urban.
Mais do que trabalho manual, os experimentos e consertos de Urban são um hobby. Distraem a mente e acalmam. O envolvimento é tão grande que Urban já chegou a ficar 36 horas seguidas no ateliê.
Urban está sempre mexendo em alguma coisa, seja na instalação elétrica ou nos móveis. As criações também fazem parte do dia-a-dia. A casa já ganhou porta-CDs, caixas para fitas de vídeo, cachepôs de casca de árvore, banquetas e estantes, tudo feito por Urban.Mauro FrassonEsconderijoO professor Antonio Urban, misto de artesão e carpinteiro, já chegou a passar 36 horas seguidas enfurnado no ateliê que montou em casa, verdadeiro refúgio para distrair a mente, se acalmar e produzir peças de madeira para a casaTradicional na Europa e nos Estados Unidos, prática do bricolage só ag ora se torna mais popular no Brasil, ao conjugar lazer e economia na ho ra de fazer pequenos consertos domésticos


