Fabricantes de pneus descumprem norma
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segunda-feira, 18 de março de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Vereadores de Curitiba, entidades ambientalistas, organizações não-governamentais (ONGs) e empresários assinaram ontem um documento que será entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) denunciando o descumprimento da Resolução 258/99 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A resolução, em vigor desde 1º de janeiro deste ano, obriga fabricantes e importadores de pneus a coletar e destruir pneus velhos. No documento, parlamentares e entidades também cobram empenho do governo em fiscalizar o cumprimento através do Ministério do Meio Ambiente.
O documento foi elaborado durante o Fórum Guerra Contra os Pneus Velhos, realizado na Câmara Municipal de Curitiba. Além da questão ambiental, o evento discutiu, também, a necessidade de acabar com esses pneus, que hoje são responsáveis por um terço dos focos de dengue encontrados no País.
A lei foi feita em 1999 e só entrou em vigor este ano, para dar prazo para que as empresas se adequassem. Mesmo assim, ninguém está cumprindo, afirmou José Álvaro Carneiro, representante das ONGs ambientalistas no Conama. O Brasil coloca anualmente quase 40 milhões de pneus rodando nas ruas. Calcula-se que já existam, jogados na natureza, entre 100 a 150 milhões pneus.
As empresas também têm que assumir responsabilidade social com o País, disse o vereador Ney Leprevost (PSDB), um dos organizadores do fórum. Grandes multinacionais como a Pirelli, Goodyear, Firestone responsáveis por 95% dos pneus existentes no País resistem à lei. Elas alegam que teriam que destruir entre 6 a 7 milhões de pneus este ano, ao custo de US$ 1 cada.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados, Francisco Simeão, discorda. Sua empresa, a BS Colway, situada em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, é a única fábrica de pneus do Brasil que está cumprindo a Resolução do Conama. Através do programa Curitiba Rodando Limpo, em parceria com a Prefeitura de Curitiba e Petrobras, a indústria já destruiu mais de 1 milhão de pneus, segundo ele, ao custo de R$ 1,30 cada.


