Fabricante vê exagero sobre mal causado por chips
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Luka Morais 
O diretor de marketing da Elma Chips, Fernando Mazzarolo, considerou um exagero o alerta feito pelo pediatra Álvaro Luiz de Oliveira em relação aos salgadinhos. Em matéria publicada na semana passada pela Folha, o médico orienta os pais a não deixarem seus filhos consumir os salgadinhos pelo excesso de corantes artificiais, considerados altamente alergizantes. Oliveira mostrou-se preocupado com o aumento no consumo, após a promoção dos tazos (brindes encontrados dentro dos pacotes). Ele revelou ainda casos de internações hospitalares causados por intoxicação, devido ao excesso de consumo dos petiscos.
A opinião do médico foi reforçada pela da nutricionista Andréa Rabelo. Ela considera os snaks horríveis em termos nutricionais. Segundo ela, os maiores teores existentes no produto são de carboidrato (açúcar) e lipídios (gordura). Consumidos em excesso, advertiu, provocam aumento de peso, entre outros problemas.
O representante da Elma Chips disse que respeita a opinião dos profissionais, mas esclarece: Em relação aos nossos salgadinhos, a matéria-prima é natural. Não utilizamos corantes amarelos que são causadores de alergias.
Fernando Mazzarolo destaca que a Elma Chips não emprega corante amarelo chamado tartrazina. Usamos apenas o corante natural, urucum, em pequena quantidade. Segundo ele, a cor amarelada dos salgadinhos Cheetos e Fandangos é 95% proveniente da farinha de milho. Os snaks são feitos à base de farinha de milho expandida e assada. É saborizada com queijo parmesão e outros americanos.
Mazzarolo não concorda com a idéia apresentada pelo médico e pela nutricionista de que os produtos são prejudiciais à saúde. A tendência moderna, nutricialmente falando, é que 60% a 70% da ingestão seja de carboidratos complexos como farinhas de milho e trigo, que proporcionam energia para atividades diárias.
Mazzarolo fala em quebra de tabus em relação ao consumo de carboidratos. Cita o açúçar, enfatizando sua necessidade aos esportistas como fonte de energia, e o macarrão. São mais saudáveis que as carnes que contêm colesterol, uma gordura animal.
Sobre o emprego de gordura hidrogenada, considerada a pior de todas pela nutricionista Andréa Rabelo, o diretor de marketing diz que o produto empregado segue rigoroso controle de qualidade. Ele afirma que as batatas e o salgadinho Doritos são fritos em óleo vegetal, passam por processo computadorizado que controla o tempo de fritura e secagem, reduzindo a absorção de gordura. Um controle que, com certeza, as donas-de-casa não conseguem ter em casa.
Mazzarolo entende que o consumo exagerado de qualquer produto pode causar intoxicação alimentar. Mas assegura que os salgadinhos não induzem a esse tipo de sintoma. Também ressalta que o caráter dos petiscos não é o de substituir refeições mas de serem utilizados como snaks, conforme prescrito nas embalagens. Eles devem ser comidos entre as refeições, no meio da tarde.
O diretor admite que a promoção dos tazos provocou aumento do consumo, mas ressalva que o interesse da empresa é de conseguir novos consumidores. Para Mazzarolo, eventualmente alguém pode ter consumido em excesso e ter se intoxicado. Mas isso é exceção e não regra.
A Folha, antes de publicar a matéria, tentou ouvir a direção da empresa mas o telefone de atendimento ao público não estava funcionando. O diretor de marketing diz que, como a promoção superou as expectativas, a empresa está com linhas congestionadas e planeja a contratação de pessoal e aquisição de novas linhas para dar o atendimento adequado.


