A Secretaria do Meio Ambiente de Apucarana (Centro-Norte) e a Polícia Ambiental de Londrina encontraram na noite de terça-feira dois caminhões carregados com materiais recicláveis misturados a lixo tóxico e contaminante na fábrica Nort Plast Abas. Os veículos carregavam 1,2 mil quilos de plásticos como garrafas PET, embalagens de xampu, embalagens de cloro, entre outros materiais plásticos que são reciclados e utilizados como matéria-prima para a fabricação de abas de bonés. No entanto, entre os materiais estavam seringas e ataduras, embalagens de lubrificantes e de defensivos agrícolas, que ainda continham resíduos de agrotóxicos. A linha de produção da fábrica foi interditada.
O dono da fábrica, José Rubens Magri Junior, e o gerente de produção, Adauto Soares dos Santos, foram detidos por crimes contra o meio ambiente e encaminhados para a 17ª Subdivisão Policial de Apucarana e liberados após pagar fiança.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a possível contaminação dos funcionários e para localizar quem fornecia os materiais irregulares. Os investigadores também querem identificar a origem das embalagens e do lixo hospitalar.
O superintendente da Polícia Civil, Cláudio Dias da Silva, afirmou que o suposto uso desse material na reciclagem para produção de abas de bonés com os materiais recicláveis pode ser uma prática recorrente da empresa. "Tudo leva a crer que acontecia isso com frequência, pois além do material nos caminhões havia galões de herbicidas dentro da empresa. Hoje (ontem) estivemos na empresa para verificar a situação e estamos aguardando o relatório", apontou.
A indústria é uma das grandes fornecedoras de abas para os bonés das fábricas de Apucarana. Segundo a porta-voz da Polícia Ambiental, soldado Camila Reina, as empresas que trabalham com as abas dessa empresa estão entrando em contato com a equipe da corporação para obter informações sobre o material contaminante. "Pessoas que manipulavam esse material podem ter se contaminado", afirmou.
O advogado da empresa, Geison Simões Santos, garante que não houve fabricação de produtos com esse material contaminado. "A empresa comprou um lote de recicláveis e dentro desse lote veio uma parte de material que não poderia ser reciclada. Nunca aconteceu uma situação dessas na empresa", apontou.
Sobre o material hospitalar, o advogado afirmou que os frascos de soros fisiológicos são recicláveis, no entanto as ataduras e as seringas encontradas estavam dentro de uma dessas embalagens. Ele garantiu que os produtos com necessidade de descarte especial já foram encaminhados a uma empresa de Maringá.

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