Fábrica polui Rio Timbú e recebe multa
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Giovani Ferreira 
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) autuou ontem a fábrica de papel higiênico Popasa, em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, por causa do lançamento de efluentes sem tratamento no Rio Timbú. A direção da empresa reconhece que o material tem origem na fábrica, mas afirma que não tinha conhecimento do problema que causou o despejo dos efluentes no rio.
A denúncia de que o rio estava sendo poluído foi feita pelo Fórum Pró-Conservação da Natrueza, que comunicou e pediu uma vistoria do IAP no local. Os fiscais do Instituto Ambiental passaram a tarde de ontem em uma fiscalização na Popasa. Os técnicos do IAP deram um prazo de 15 dias para que a empresa regularize a situação. Além disso, a fábrica ainda está sendo multada em R$ 3 mil por dia, até que deixe de lançar os efluentes irregulares no Rio Timbú.
Adeilda Marislei Ico, técnica responsável pela indústria, disse que a Popasa faz o tratamento dos efluentes como determina a lei. O que aconteceu foi um acidente, com o possível rompimento de uma tubulação subterrânea, disse. Segundo Adeilda, a causa do lançamento desses efluentes deve ser constatada e solucionada em uma vistoria que a empresa fará hoje em todo o sistema de produção.
Na versão da fábrica, o que teria vazado para o rio seriam fibras de papel, em forma de massa, sem nenhuma espécie de produto químico em sua composição. José Carlos Campos, administrador da Popasa, disse que o que chegou ao rio é apenas a matéria-prima utilizada na fabricação do papel higiênico. A empresa trabalha basicamente com papel reciclado, utilizando jornais velhos como matéria-prima.
DepoisCem metros abaixo da Popasa o rio fica escuro, as águas barrentas e provavelmente os peixes morremA poluição é mais forte e visível no trecho do rio que passa sob a ponte da BR-116, pouco antes do trevo de acesso ao município de Quatro Barras.
Uma das preocupações do Fórum Pró-Conservação da Natureza, é que o Rio Timbú é um dos afluentes que estará abastacendo a represa do Iraí, em Quatro Barras, que deve entrar em operação no próximo semestre.
A ambientalista Tereza Urban, uma das diretoras do Fórum, disse que já alertou a Sanepar para o perigo que as indústrias da região oferecem à represa do Iraí. Se um acidente desse acontecer quando a barragem já estiver fechada, poderá causar um enorme desastre ambiental, disse Tereza.
Apesar de reconhecer que esta é uma situação preocupante, através de sua assessoria a Sanepar informou que no momento não existe muito o que fazer. De acordo com a empresa, quando a barragem estiver operando a Sanepar vai garantir a qualidade da água através de um trabalho de monitoramento, que será desenvolvido de maneira permanente em todos os rios que irão abastecer o reservatório. A barragem deve estar concluída no início do segundo semestre.
Há um ano e meio, quando uma equipe do Fórum Pró-Conservação fez uma auditoria na região da barragem, os ambientalistas já chamavam a atenção para o problema que as indústrias poderiam causar. Hoje, com esse acidente no Rio Timbú, está acontecendo o que a auditoria previa, e que também pode vir a ocorrer com a barragem fechada, disse Tereza Urban.


