Os funcionários da Engarrafadora Lupet, fabricante de refrigerante em Londrina, se concentraram durante todo o dia de ontem em frente aos portões da empresa reivindicando o pagamento de salários atrasados. Os 46 funcionários ainda não receberam o 13º e o salário de dezembro. O pagamento de janeiro também está vencido desde o dia 25. Eles também reclamam do não recolhimento de fundo de garantia, de desconto na folha de pagamento de INSS sem repasse ao órgão e de direitos trabalhistas que não estariam sendo cumpridos.
A fábrica pertence a Mary Cristiane Boller Barbosa desde maio do ano passado e teria sido comprada, segundo os funcionários, de José Alves Pereira. A maioria dos funcionários tem dois registros na carteira profissional. ‘‘Não deram baixa quando a fábrica passou para a nova dona’’, afirmaram os empregados.
A funcionária Ângela Maria da Silva tem registro em nome das empresas S. Quirino Ltda e Engarrafadora Lupet. ‘‘Fui demitida há dois meses porque a dona da fábrica queria que eu fizesse hora extra. Até agora não recebi nada’’, afirmou.
Grávida, a funcionária Adriana Aparecida de Souza, 28 anos, com dois registros em carteira, disse que foi demitida em dezembro porque foi reclamar do atraso no pagamento e das férias vencidas. Adriana tem outros dois filhos. ‘‘Já está faltando leite para as crianças’’, queixou-se. De acordo com a empresária, a funcionária foi demitida porque produzia pouco. ‘‘Estou pagando uma indenização de R$ 300,00 por semana’’, disse.
A empresária disse que há 15 dias vem tendo prejuízo de cerca de R$ 60 mil com a greve dos caminhoneiros (que começou há uma semana). ‘‘As vendas de fim de ano não foram tão boas. A greve também atrasou a entrega das embalagens (do tipo pet) de refrigerante’’, justificou. Segundo Mary, os funcionários já receberam parte do 13º, vales e cestas básicas no valor de R$ 30,00. ‘‘Vamos pagar assim que a situação se normalizar’’, assegurou. Mary informou que na próxima semana vai demitir 25 funcionários.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Londrina, Francisco Carlos Ferreira, informou que o Ministério do Trabalho constatou que a empresa tem cinco funcionários em situação irregular. A fábrica também não teria apresentado a documentação exigida. ‘‘Foi dado um prazo para que tudo seja regularizado’’, informou. Na segunda-feira, o sindicato vai entrar com medida cautelar contra a fábrica para garantir salários e direitos trabalhistas dos funcionários.

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