Fábrica é saqueada e depredada
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Policiais militares prenderam em flagrante na manhã de ontem cinco homens que estavam furtando telhas usadas da Infibra, fábrica fechada há três anos e localizada na Zona Oeste de Londrina. Os homens foram flagrados quando retiravam a cobertura do estacionamento e colocavam em um caminhão, estacionado no pátio da fábrica. As telhas eram uns dos últimos bens remanescentes no local, que vem sendo saqueado e depredado há dias.
Um PM informou que os furtos começaram quando o segurança da empresa parou de trabalhar e as instalações ficaram sem nenhuma vigilância, o que deve ter ocorrido há aproximadamente uma semana. A fábrica, que está em processo de dissolução desde 2003, passou recentemente por uma contagem de todos os bens (arrolamento), estando lacrada por um oficial de justiça desde então.
Nesse inventário foi constatada, por exemplo, a existência de mais de mil matrizes de aço temperado, usadas como molde para a fabricação das telhas. A maioria foi levada e algumas ainda estavam espalhadas em frente às casas próximas, na manhã de ontem. Nas instalações da empresa restavam apenas poucos tanques e máquinas grandes, além de cacos de vidro, papéis, disquetes, documentos e um pó azul espalhados pelo chão.
Eles levaram inclusive máquinas, equipamentos caros. Ontem tinha gente na rua com maçarico desmontando peças para extrair bronze e vender, denuncia Mara Maran, advogada de Américo Bergamin e Claudimar Bueno, sócios da Infibra Paraná. Segundo ela, foram os outros sócios, da cidade de Leme (SP), que pediram o arrolamento e a dissolução da empresa. A advogada disse ainda que denunciou os saques à Justiça.
Américo diz não ter a menor idéia de quanto foi o prejuízo. Fomos pegos de surpresa, já que a Justiça tinha nos afastado da empresa. Daí me ligam ontem (anteontem) dizendo que estavam destruindo tudo, revela. Foi sua advogada que, ao tomar conhecimento da situação desta manhã, acionou a polícia. A reportagem tentou falar na empresa de São Paulo, mas ninguém as ligações.
Telhas Eu tenho um quarto nos fundos da minha casa que está com telhas muito fininhas. Por isso ia levar essas, ia colocar lá. Esta foi a justificativa dada por um morador do Conjunto José Belinati (Zona Norte). Ele diz que tomou conhecimento da oportunidade por meio de outros moradores do bairro.
Segundo o morador, a informação era de que um funcionário tinha ganhado na Justiça o direito de levar os bens e liberado para quem quisesse. Não estamos roubando. Se fosse roubo, a gente não estaria aqui à luz do dia, teria vindo à noite, escondido. Só viemos porque disseram que podia.
Ele contou que dezenas de pessoas têm transportado os materiais de caminhão desde sábado sem qualquer problema. Vim aqui ontem (anteontem), parecia uma festa. Estava cheio de gente pegando coisa, mulheres, crianças brincando no pátio, contou outro homem, que estava ajudando a carregar o caminhão.


