A indústria de confecções, um ramo tipicamente urbano, começa a fazer parte do cenário rural em Tuneiras do Oeste (49 km a sudeste de Umuarama). Várias comunidades do município estão se organizando para fábricar roupas em sítios e fazendas. Duas fabriquetas já estão prontas para funcionar nos distritos de Marabá e Aparecida do Oeste.
Quem teve a idéia foi a costureira Fátima Aparecida Sabec, 24 anos, que mora num sítio de três alqueires a cerca de 2 quilômetros do distrito de Marabá. Depois de trabalhar três anos numa fábrica de Cianorte, um dos maiores pólos de confecções do Paraná, Fátima deixou o emprego por causa da distância e da dificuldade em se ausentar o dia todo de casa. Agora, além de trabalhar a poucos metros de casa, garantiu trabalho para mais cinco vizinhas.
A equipe está em fase de teste. Esta semana, as costureiras fizeram peças experimentais para a fábrica Morena Rosa, de Cianorte. Se a empresa gostar do serviço, contrata a fábrica de Fátima para prestar serviço em sistema de façcão (peças cortadas para costura). As seis costureiras começarão ganhando salários entre R$ 150,00 e R$ 180,00. ‘‘Depois que atingirmos um bom nível de produção poderemos começar a ganhar por peça costurada’’, disse Fátima.
A fábrica trouxe nova perspectiva para a costureira Sandra Beluci, 22 anos, que mora com os pais numa propriedade vizinha ao sítio dos Sabec. Sandra morou com colegas em Cianorte e Tapejara para trabalhar em confecções, mas com o que ganhava não conseguia se manter sozinha. Voltou a morar com os pais no sítio e agora vai poder excercer sua profissão sem precisar sair do campo. Já a sócia de Fátima, Edna Disenha Pedroso, 40 anos, tomou caminho inverso. Moradora em Marabá, distrito com cerca de 200 habitantes, e irá todo dias para o sítio costurar.
Casada há sete anos, Fátima trabalhou três anos na Cheina, uma das maiores fábricas da região, primeiro na matriz em Cianorte e depois na filial em Tapejara. Ambos os locais de trabalho ficavam a mais de 25 quilômetros de distância. Ela saia de casa às 6 horas para tomar o ônibus e só voltava à noite. ‘‘Era muito cansativo e não sobrava tempo para cuidar da casa e da família’’, relembra. Por isso, parou de trabalhar ano passado.
Desde que desistiu de trabalhar na cidade, Fátima começou a pensar na possibilidade de montar uma pequena fábrica no sítio. ‘‘A Edna (sócia) se interessou e como não tínhamos dinheiro suficiente, fomos pedir ajuda à prefeitura’’, conta. O prefeito Luiz Antôno Krauss gostou tanto da idéia que decidiu doar as máquinas e incentivar outros agricultores a adotar o projeto.
Para Fátima, a única coisa que faltava para era justamente o máquinário, a parte mais cara. Elas ganharam da prefeitura sete máquinas básicas (três de costura reta, um overloque, uma interloqueira, uma galoneira e uma máquina para fazer barra alternada, num total de R$ 7 mil.
O barracão não foi problema. O marido de Fátima, Antônio Carlos Sabec, 35 anos, ajudou reformando uma velha garagem. ‘‘Gastamos cerca de R$ 1 mil para adaptar a construção’’. O barracão é bem rústico, com piso de cimento, cobertura de telhas de amianto, paredes e janelões de madeira. No pequeno sítio onde criam gado de leite, vivem Antônio e Fátima com a única filha, Daielli, 6 anos, e os pais de Antônio, Guilherme e e Aulerinda. Antônio está empolgado com a confecção. Mas ele, por enquanto, não quer saber de aprender a lidar com máquinas de costura, mas pode mudar de idéia se as mulheres começarem a ganhar muito dinheiro.

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