Exumações revelam irregularidades
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terça-feira, 19 de setembro de 2000
Julio Cesar Lima De Curitiba 
O médico Mário Lopes entregou ontem à promotora Cláudia Martins, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba, o laudo das exumações feitas entre os dias 22 e 24 de agosto no cemitério Santa Cândida. Foram registradas no documento as aberturas de 37 sepulturas que deveriam conter 60 corpos. Muitos desses cadáveres não estavam nas covas ou faltavam partes, o que reduz o número total, disse a promotora. No laudo foram apontadas diversas irregularidades que serão investigadas.
Entre os problemas apontados pelos peritos estão a utilização de caixões como depósito de lixo hospitalar, onde foram encontradas garrafas de refrigerante, seringas e plásticos, além do acúmulo de corpos em um caixão ou a falta de membros em alguns deles. As universidades deverão ser chamadas para esclarecer esses fatos.
As exumações foram solicitadas à PIC pelos parlamentares da CPI do Narcotráfico, que suspeitam de um suposto comércio ilegal de cadáveres entre o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e as faculdades de medicina. Queremos saber onde estão os cadáveres desaparecidos e porque em algumas covas existem apenas partes deles, disse o deputado estadual Ricardo Chab (PTB), relator da CPI. Nós vamos investigar onde estão os corpos que faltam e somente após isso verificaremos se há um crime ou não. As informações são sigilosas e apenas divulgaremos o que ocorrer de concreto, afirmou Cláudia Martins.
O médico Carlos Roberto Facin, presidente da Associação dos Médicos Legistas do Paraná, entrega nesta semana ao Ministério Público e à CPI um manifesto assinado pelos 70 associados, que condena a prática das universidades no tratamento aos cadáveres.
Além da PIC e da CPI, as investigações também estão sob responsabilidade do delegado Fauze Salmen, da Homicídios, que teve pedida a sua substituição no caso.


