No último Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (Liraa), divulgado na semana passada, cerca de 35% dos criadouros foram identificados em recipientes plásticos, garrafas e latas em ambientes peridomiciliares, isto é, em área compreendida em um raio de até 50 metros em torno do domicílio. Fora do ambiente doméstico esses materiais também são encontrados em terrenos baldios e fundos de vale.

A reportagem esteve nesta quarta-feira na Estrada da Pedreira, no Conjunto Jamile Dequech (zona sul), que está repleta de garrafas vazias, carcaças de televisores e muitos outros recipientes que podem se tornar criadouros de mosquito. "Tem gente que é do próprio bairro e faz isso. Não tem jeito. Eles não respeitam nem as casas das pessoas", critica o morador Valdete José dos Santos.

A coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Fabiana da Silva, relata que os agentes encontram muitas dificuldades nos fundos de vale e terrenos baldios. "Mesmo que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) limpe os locais, a população continua jogando lixo. Existem Pontos de Entrega Voluntária para entulhos, mas a população prefere jogar em uma área mais próxima de sua casa correto", critica.

No Parque das Indústrias Leves (zona leste), o IIP é de 12,5%, o maior de Londrina. Por lá existe uma grande concentração de barracões, alguns fechados, e o bairro fica nas proximidades de um fundo de vale, alvo de descarte de lixo. Para quem mora nas imediações, a situação é preocupante. "Eu não sei mais como combater o mosquito. Aqui em casa os agentes nunca encontraram um criadouro, mas como controlar se uns cuidam e outros não?", critica a zeladora aposentada Maria Helena Zambrin.

Por outro lado, no Conjunto Cafezal (zona sul), o índice de infestação predial foi de 0%. O auxiliar de farmácia Reginaldo Lopes é morador da Rua Adalmira Ferreira Martins e relata que o pessoal do bairro tem cuidado bem de seus quintais.

O último Liraa, divulgado na semana passada, apontou que o índice de infestação predial foi de 1,4% dos imóveis, quando o tolerado pela Organização Mundial de Saúde é 1%, o que coloca o município em estado de alerta. O levantamento foi realizado entre 7 e 11 de novembro. Embora o índice esteja melhor que o registrado no mesmo período do ano passado (7,9%), se a população se descuidar existem condições para que esse quadro se modifique rapidamente.

Segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Fátima Tomimatsu, as orientações nas comunidades locais estão sendo intensificadas. "Em outubro e novembro fizemos várias reuniões na comunidade. Estabelecemos um calendário que incluem desde ações educativas, mutirões de recolhimento de material que podem se tornar criadouros e o envolvimento de outras instituições."

A diretora ressalta que não se pode baixar a guarda. "O número de criadouros pode aumentar de uma hora para outra se a população não tomar os devidos cuidados. Por isso precisamos que a população faça a sua parte. São aquelas três regrinhas: retirar o lixo de casa que pode se tornar criadouro; colocar esse material em saco de lixo para que serviço de coleta recolha; e fazer o que é de sua responsabilidade e não esperar que o serviço público faça."

De janeiro até o momento, a Secretaria de Saúde registrou 14.293 notificações, sendo que foram confirmados 5.134 casos e descartados 8.296. Outros 863 casos estão em andamento, aguardando o resultado de exames de laboratório.

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