Extinção do magistério gera polêmica
APP-Sindicato condena o novo sistema de formação sugerido pela Secretaria de Estado da Educação
Arquivo FolhaDIVERGÊNCIAO presidente da APP-SIndicato, Romeu Gomes de Miranda, não concorda com as propostas de mudanças no magistério apresentadas pela secretária da Educação Alcyone Saliba
Giovani Fererira
De Curitiba
A Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) está condenando a extinção dos cursos de magistério promovida de forma gradativa pela Secretaria de Estado da Educação. As escolas estaduais vêm suspendendo as novas matrículas desde 1996. O governo pretende extinguir o magistério para implantar duas novas modalidades de formação, batizadas de normal superior e normal sequencial, definidas pela classe dos professores como ensino pós-médio.
Apesar de a Secretaria de Educação entender que o novo sistema deve garantir mais qualidade de ensino e valorizar o magistério, a APP-Sindicato discorda, afirmando que a formação de um professor será incompleta com o modelo de formação sugerido pelo governo. O professor Romeu Gomes de Miranda, presidente da APP, lembra que, acima de tudo, o magistério é garantido pela Lei de Diretrizes de Bases da Educação, que regulamenta o ensino fundamental, médio e superior em todo o Brasil.
Com base em uma regulamentação do Conselho Nacional de Educação, que define o magistério como um curso de formação do ensino médio, a APP está exigindo a retomada do processo de formação. Queremos que a secretaria de educação autorize novas matrículas, disse Romeu. A regulamentação data do início deste ano.
A secretária de Educação Alcyone Saliba discorda da avaliação do presidente da APP, garantindo que as mudanças estão sendo desenvolvidas conforme manda a lei. De acordo com Saliba, tanto a LDB como o Conselho Nacional apenas admitem o magistério até o ano de 2006, quando todos os professores deverão ter no mínimo a graduação.
Uma das principais discussões entre o governo e a APP diz respeito aos critérios que serão adotados para a nova formação. Alcyone Saliba garante que as duas modalidades propostas para a nova formação de professores serão reconhecidas como de curso superior. No entanto, a APP questiona o tempo de formação, que seria de apenas dois anos na formação sequuencial e dois a três no superior normal, quando o necessário seria de quatro anos.
Na avaliação de Romeu Miranda não há razão para o fim do curso, uma vez que existe uma grande demanda. Muitos jovens e professores do ensino fundamental que ainda não tem formação de magistério estão procurando escolas particulares, arcando com o ônus de um ensino que deveria ser gratuito. Se o Estado quer economizar, essa não é a solução, disse o professor, colocando que a educação não pode pagar o preço pela falta de recursos do governo estadual.





