Engenheiros e arquitetos de Londrina estão preocupados com a decisão do prefeito Nedson Micheleti (PT) em fundir a Secretaria de Obras e o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul). O projeto de fusão, se aprovado pela Câmara de Vereadores, vai extinguir o Ippul, o que, na visão dos profissionais, poderia trazer prejuízos ao planejamento urbanístico da cidade.
Por isso, o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) realizaria ontem à noite uma reunião com representantes da sociedade civil organizada e entidades do setor para discutir o assunto. Segundo o presidente do Ceal, o arquiteto Paulo Bombassaro, que foi também presidente do Ippul na administração Jorge Scaff, o prefeito não pediu a opinião de técnicos e nem mesmo da sociedade, para decidir pelo fim do órgão. Assim, o clube estaria promovendo a discussão para avaliar a proposta.
Bombassaro criticou a justificativa de Micheleti de que a fusão resultaria em economia para o município. Para ele, a medida correta seria discutir a atribuição dos órgãos. Bombassaro destaca que há funções desempenhadas pela secretaria e que deveriam ser de responsabilidade do Ippul, como a instalação de loteamentos e a fiscalização de obras. Ele cita ainda que o instituto, deveria ter uma receita própria, como ocorre com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), assim, teria condições de ser uma entidade superavitária.
O planejamento de uma cidade, continuou o presidente da Ceal, traz benefícios a curto prazo, mas muito mais a médio e longo prazo, assim é preciso ser entendido como um investimento. ''É preciso uma visão técnica e não política do funcionamento do Ippul'', comentou.
A diretoria do clube, de acordo com Bombassaro, teria elaborado uma proposta de que, ao invés da extinção do instituto, a prefeitura supendesse provisoriamente a estrutura do órgão. Enquanto isso, os profissionais do Ceal fariam gratuitamente um ''Plano de Reestruturação do Ippul''. Esse plano traria informações necessárias para uma estrutura mínima de planejamento, prevendo espaço físico e receita. O Ceal não conseguiu agendar um encontro com o prefeito para oferecer a sugestão.
Micheleti explicou que a fusão da Secretaria de Obras com o Ippul não traria prejuízos para o município, pois o papel do planejamento urbano permaneceria. Segundo ele, com a fusão haveria apenas a redução de cargos comissionados, como o de presidente e das quatro diretorias do instituto. A extinção desses cargos resultaria numa economia mensal de cerca de R$ 30 mil.

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