A solução para o problema da superpopulação de pombos em Londrina exige um trabalho multidisciplinar, com o poder público e a sociedade atuando em conjunto, requer várias ações em vários setores, e esse planejamento só trará resultados a médio e longo prazo. Isso foi um consenso entre todos os participantes do seminário promovido pela 17 Regional de Saúde para discutir a questão.
Representantes de universidades, secretarias estaduais e municipais de Saúde e Meio Ambiente, ONGs e outros especialistas no assunto reuniram-se durante todo o dia de ontem no auditório do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), para buscar a melhor forma de reduzir e controlar a população de pombos na cidade. ''Nosso objetivo é discutir amplamente propostas efetivas para subsidiar a elaboração de uma norma técnica da Secretaria de Estado da Saúde'', explicou o chefe da 17, Adilson de Castro. As propostas resultantes desse seminário seriam definidas no final da tarde.
A necessidade ou não de exterminar alguns desses pássaros para reduzir a população de imediato, mesmo que aliada a outras ações, foi o tópico que mais criou polêmica, e dividiu opiniões entre os presentes. ''O extermínio não é a solução e não vai trazer resultados, além de afetar até a parte moral. E, se não traz solução, não se justifica'', afirmou Maria Luísa (Marilu) de Noronha, do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, do Rio de Janeiro.
Para a médica veterinária Carla Molento, do Laboratório de Bem-Estar Animal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), falta um aprofundamento maior dos conhecimentos de dinâmica populacional na hora de discutir o assunto. ''O extermínio é completamente contra-indicado. Quando você retira uma parcela, a taxa de reprodução dos que sobram aumenta. O que é preciso é controlar os recursos ambientais.'' Carla sugere que haja um controle melhor dos grãos das colheitas, sem tanto desperdício nas estradas e no campo. ''Se você extermina os pombos, mas mantém o campo cheio de grãos, pode aumentar a população de outros animais, como os ratos, por exemplo'', alerta.
Outro palestrante, o médico Ivens Gomes Guimarães, coordenador técnico do Centro de Investigação de Medicina Aviária do Paraná (Cimapar), elaborou um plano de monitoria sanitária em que recomenda o desbaste da população de pombos, capturando e sacrificando pássaros adultos para diminuir o desequilíbrio populacional. O documento foi encaminhado à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. ''Hoje, essa superpopulação quase pode ser considerada como uma praga, e é preciso fazer o devido controle para níveis em que a convivência é possível para os dois lados'', justificou.
Com ou sem extermínio, os especialistas concordaram ainda que é essencial que se faça um trabalho maciço de conscientização ambiental. ''Isso envolve a recuperação das áreas de mata ciliares e manutenção de bosques dentro das propriedades rurais. Os pombos são atraídos pelo excesso de oferta de recursos no ambiente - alimento, água, abrigo e local para reprodução. É reduzindo esses recursos que vamos reduzir essa população'', afirmou Marilu de Noronha.
A palestrante lembrou que também é importante coibir a alimentação de pombos urbanos por parte da população, para que futuramente estas aves também não se tornem motivo de preocupação. ''Além disso, é imprescindível que se invista também em pesquisas científicas, que fornecem a base para se chegar a soluções viáveis, e que haja ampla divulgação desses conhecimentos'', sugeriu.

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