Atividades que ensinam e ajudam a comunidade ao mesmo tempo. Assim funcionam os projetos de extensão à comunidade da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Entre eles, está o projeto Universidade Amiga (Atendimento Médico Itinerante a Grandes Animais), desenvolvido pelo professor Wilmar Sanchetin Marçal com alunos do curso de medicina veterinária.
Desde 1995, o professor sai com estudantes em um ônibus cedido pela universidade rumo a propriedades de pequenos produtores. No ônibus, eles levam medicamentos, instrumentos e muita disposição para trabalhar. Mais de 350 produtores já foram beneficiados pelo projeto. Atualmente, cerca de 50 recebem atendimento fixo. Marçal avisa: ''Quem quiser pode solicitar atendimento na universidade pelo telefone 3371-4269''. A prioridade é atender pessoas que não têm condições de pagar pelo tratamento veterinário.
Além de ajudar os produtores, o projeto contribui para a formação dos futuros veterinários. ''Eles têm a prática de campo, vêem a realidade das doenças in loco'', explica o professor. O projeto faz tanto sucesso que foi apresentado no México e no Uruguai e conta também com a participação de três estagiários de outras cidades (Aracaju, Cuiabá e Marília). ''Há seis anos o curso é 'A' no provão MEC'', comenta o professor, se referindo à avaliação das faculdades, feita pelo Ministério da Educação.
Luis Carlos Diniz Moraes está no último ano do curso e estuda na Universidade Estadual do Mato Grosso. ''Vim pelo nome da faculdade'', conta. Ele está há um mês no projeto e fica na cidade até maio para cumprir as 720 horas de estágio. ''A gente aprende a parte prática. A experiência está sendo boa'', observa.
Márcio de Carvalho, que também se forma agora, está no projeto desde o 2º ano. ''É nítida a diferença de quem participa de um projeto prático para outro que não. Você adquire segurança para cuidar dos animais, aplicar uma injeção'', comenta. Clarissa Mascaro está no 1º ano e foi visitar uma propriedade com o projeto pela primeira vez. ''Serve para aprimorar os conhecimentos e dar uma noção de que área você vai seguir: pequenos ou grandes animais''.
Para os produtores, o trabalho também é bem-vindo. Gertrudis Brene Guijarra mora em uma propriedade com suas quatro filhas (duas casadas) e mais cinco netos. A maior renda vem da venda de queijo produzido com o leite das vacas que ela possui. ''Ajuda bastante e nós também ajudamos eles a aprender mais'', diz. Sua filha Giovana disse que quem cuida dos animais são seus familiares mesmos, mas gostou da visita. ''Eles olham o gado para a gente'', argumenta.
Levar o projeto adiante é uma batalha. Todo o medicamento utilizado é doado por laboratórios. Mas Marçal se sente gratificado por ter criado esse projeto. ''Sou o pai da criança'', diz orgulhoso. E acrescenta: ''O que mantém minha chama viva é poder passar, como educador, um pouquinho da experiência para os mais novos''. Quem quiser conhecer mais pode acessar a home page do projeto em www.uel.br/projetos/amiga

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