Expressões faciais são uma grande fonte de informação
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terça-feira, 18 de novembro de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - Se o corpo fala, as expressões faciais revelam muito mais de nós mesmos do que podemos imaginar. "As expressões faciais funcionam como uma grande fonte de informação. Geralmente a gente fala, discursa, diz o que sente, mas a expressão facial mostra tudo isso a partir de minúcias de expressão e expressões mais marcadas", afirma a psicóloga Natalia Mendes Ferrer, de Londrina. No início do mês, ela ministrou um curso de interpretação das expressões faciais dirigido a profissionais e estudantes das áreas de Psicologia e Direito Forense, quando abordou técnicas, aspectos históricos e sua aplicabilidade.
A psicóloga defende que a interpretação correta das expressões faciais pode ser uma importante aliada nas relações comportamentais, mas não só. Já há estudos sobre a viabilidade do uso da técnica por psicólogos e terapeutas para a identificação de transtornos sensíveis em pacientes, como a depressão, por exemplo. Um mal que já atinge 350 milhões de pessoas em todo o mundo. "Existem instrumentos sendo desenvolvidos para identificar um estado de depressão pela mensuração da expressão facial do paciente, para verificar se há uma relação com a depressão. A gente percebe sim uma face mais constante de tristeza, de estar mais distante, com uma expressão mais contraída", explica a profissional do Instituto de Terapia e Análise do Comportamento (PsicC).
E nas relações pessoais, acrescenta Natalia, é por meio das expressões faciais que demonstramos nossas reações mais instantâneas. Corremos o risco de ser mal interpretados dependendo da forma como reagimos com o olhar, o franzir da testa, o mexer da boca. Por isso, afirma a psicóloga, é possível e preciso saber dosar as expressões de forma a evitar mal-entendidos e até mesmo para identificar o comportamento do interlocutor e avaliar como ele está interpretando aquilo que estamos querendo dizer.
"Pode ser muito favorável você estar atento às expressões faciais ao se relacionar com outras pessoas. As expressões acontecem naturalmente, é automático, mas o quanto elas se mantêm nós podemos ter o controle. É uma questão muito mais comportamental", observa. "Vamos supor que eu esteja conversando com você e estou apontando alguma coisa e percebo que a sua expressão facial está mudando. Você está ficando com raiva, parece que não está gostando do que estou dizendo; eu posso alterar o tom de voz, mudar o conteúdo da minha fala, para não brigar com você", exemplifica a psicóloga.
HISTÓRICO E MENTIRAS
Imortalizado por formular a teoria da evolução, o naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) foi o primeiro estudioso a abordar a universalidade das expressões faciais em seres humanos e nas espécies animais. Atualmente, aponta Natalia, a principal referência no assunto é o psicólogo norte-americano Paul Ekman, que desenvolveu alguns instrumentos de software capazes de mensurar as expressões faciais e que também servem para aplicar treinamentos de identificação das expressões.
Alguns desses programas, como o Facial Action Coden System (FACS), são utilizados em modernos polígrafos detectores de mentira em depoimentos. "Tem um instrumento de temperatura facial que mostra que alguns locais da sua face ficam mais quentes quando você está mentindo", diz a psicóloga. Não é por acaso que Paul Ekman foi o consultor da série televisiva norte-americana "Lie to me" (Minta para mim).
E por falar em mentira, Natalia revela que na última eleição era possível identificar pelas expressões faciais o quanto os candidatos, todos eles, faltavam com a verdade nos acalorados debates na TV. Eles mentiam muito? "Bastante. Era possível identificar a dissimulação de diversos candidatos e os gestos de manipulação não apenas na expressão corporal, mas facial. Eles tentam camuflar muita coisa", responde a psicóloga. Está aí mais uma serventia do estudo.


