Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Expositores e barraqueiros que trabalharam até ontem na Feira do Paraná vão entrar com recurso contra a Eco Show, empresa organizadora. Este é o primeiro ano que o evento foi organizado por uma empresa privada. Anteriormante, a Emater era a responsável por todos os setores.
Shows, rodeios e leilões foram cancelados. Os comerciantes estavam ontem revoltados tentando entrar num acordo com os donos da empresa, Horácio e Antônio Rodrigues. ‘‘Eles estão escondidos, ninguém consegue falar com eles’’, reclamavam os pedreiros Gervário da Silva, Anildo Pereira e Juarez Miranda, que trabalharam na construção do palco. ‘‘Ficamos dois dias aqui direto, sem ir para casa, dormindo debaixo do palco. Por enquanto só recebemos vales. Eles nos devem pelo menos R$ 150,00, fora as horas-extras’’.
Outro grupo de comerciantes indignados era o do setor de alimentação. ‘‘Eles nos venderam uma coisa completamente diferente do que está acontecendo’’, queixou-se Eurípedes Lisboa, que vendia sanduíche de picanha e coquetéis de frutas.
A maior reclamação era com relação ao concelamento dos shows. ‘‘Nesses dois dias sem shows vamos perder um público de mais de 100 mil pessoas. Eles nos anuciaram um público de 800 mil pessoas. Nos preparamos e investimos para atender essa demanda. O resultado foi produto no lixo, dinheiro perdido e muita chateação’’, alegou o barraqueiro de lanches Evandro Bassani. As bilheterias registraram um público de 300 mil pessoas.
Mais de 20 barracas, também da área de alimentação, ficaram alagadas com a chuva que caiu no sábado. ‘‘Freezers queimaram, muita carne estragou e ainda levamos choques com fios descobertos’’, reclamava Bassani. Os comerciantes devem entrar com uma ação coletiva contra a Eco Show.
Entre uma conversa e outra, ouvia-se entre os comerciantes que os shows e rodeios foram cancelados porque a empresa não havia cumprido os contratos.
Balanço – Na avaliação do coordenador geral da Feira do Paraná e diretor da Emater, José Geraldo Alves, a terceirização foi a melhor opção já que a Emater não tem entre suas atribuições a organização de feiras. ‘‘Nosso negócio é assistência técnica. Como acontece em todo o mundo, as feiras agropecuárias atraem grande número de visitantes. Mas a maioria vem para os shows. Fica muito difícil agradar todo mundo. Reconhecemos que ocorreram problemas, talvez pelo pouco tempo que a Eco Show teve para se preparar – dois meses. Vamos tentar consertar os erros’’, reconheceu.
Dos 13 leilões agendados na feira, 11 já haviam sido realizados até o final da tarde de ontem. Foram arrecadados mais de R$ 400 mil. Dois leilões tiveram negócios recordes. Foi o caso dos cavalos árabes, que arrecadou R$ 100 mil, e do gado Charolês, com mais de R$ 160 mil comercializados.
O governo também considerou positivo o aumento no número de expositores nos setores de indústria e comércio e animal. Dos 5 mil animais em exposição, 2 mil eram de grande porte.

mockup