Dezenas de japoneses idosos trabalharam ontem durante todo o dia na montagem de estandes e preparativos para a Casa Japão, nome atual da 41ª Exposição Agrícola da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), que será aberta hoje para o público e prossegue até o dia 17 no Centro de Exposições e Eventos, zona sul de Londrina. Os voluntários, quase todos imigrantes que vivem na cidade desde a década de 40, além de ajudar na organização, vão estar envolvidos em algum tipo de atividade da feira. A Casa Japão tem estandes agrícolas, atrações gastronômicas e culturais. São esperados cerca de 100 mil visitantes.
Um dos voluntários mais animados, Jorge Kataoka, 83 anos, transportou o tambor japonês para uma espécie de templo montado no centro de um pavilhão. Ele explicou que o instrumento, chamado de taikô, é tradicional na cultura japonesa e tem cerca de 1.500 anos. Natural de Hokaido, Kataoka imigrou para o Brasil há 15 anos, aprendeu a tocar o taikô sozinho e hoje ensina vários alunos. O instrumento de percussão é tocado em cerimônias religiosas, festividades (matsuri) e shows artísticos. ‘‘É a primeira vez que me apresento na feira’’, disse Kataoka.
Residente em de Londrina desde 1935, o comerciante aposentado Kaoro Matsunaga, 73 anos, também vai tocar taikô. Segundo o imigrante, que também veio de Hokaido, a feira é uma oportunidade de preservar os costumes dos ancestrais. As tradições, disse Matsunaga, são revividas e passadas para as gerações mais novas. Ele confessou que sente saudades da terra natal. ‘‘Lembro-me especialmente do dia da partida para o Brasil. Estava nevando e a cena dos familiares chorando no porto ficou na minha memória’’, rememorou Matsunaga.
Num dos estandes, o casal Emiko e Motoi Suzuki montou uma exposição de desenhos e pintura em papel. As obras com motivos japoneses retratando montanhas, bambus e flores foram feitas pelos alunos de Suzuki. Aos 78 anos, ele também está expondo haicai, que são pequenos poemas de três versos. Entre todas as obras, Suzuki aponta uma preferida, onde se vê a montanha Daisetsuzan, na província de Hokaido. Emiko, de 70 anos, esposa de Suzuki, não pinta, mas vai dançar na feira, exibindo a jovialidade própria da cultura japonesa. O segredo para a disposição que ela e outros imigrantes aparentam, segundo Emiko, está em ocupar o tempo com diversos tipos de atividades. ‘‘Assim não sobra tempo para envelhecer’’, explicou.
Os estandes e a praça da alimentação da Casa Japão estarão abertos ao público a partir da 18 horas. Às 21h30 haverá uma apresentação de Bon Odori, tradicional dança folclórica japonesa de agradecimento pelas colheitas e culto aos antepassados, de 2.600 anos. O ingresso custa R$ 3,00. Menores de 10 anos não pagam. Estudantes com carteirinha e maiores de 65 anos pagam meio ingresso. O estacionamento custa R$ 5,00 é cobrado à parte.

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