Exposição ''mostra'' mundo da botânica a deficientes visuais
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terça-feira, 16 de outubro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Conhecer e reconhecer o mundo pelo toque, cheiro, sensações e riqueza de detalhes. Cientes dessa particularidade dos deficientes visuais, profissionais do Museu Botânico de Curitiba e a artista plástica Maria Luiza de Almeida Schleder elaboraram a exposição ''Botânica e Arte ao alcance das Mãos''. A mostra educativa ambiental, que fica em cartaz até o dia 21 deste mês, no Jardim Botânico, propõe a compreensão do universo da botânica através de imagens táteis bidimensionais e tridimensionais.
A exposição foi pensanda, primeiramente, nos deficientes visuais, mas também pode ser ''experimentada'' pelo público em geral. Basta vendar os olhos para visitar e conhecer a mostra com todos os outros sentidos. Objetos tridimensionais e naturais, como maquete de uma araucária, pinhas, flores, folhas, sementes, frutos e raízes foram dispostos ao lado de suas versões bidimensionais - como geralmente os cegos vêem o mundo -, em silhuetas de papel texturizado para facilitar a percepção, além da descrição em braile para cada tema. As visitas são sempre monitoradas por biólogos do museu.
''Mas será que só tocando o desenho uma pessoa cega consegue reconhecer a figura'', questionou a estudante Larissa Santin, de 19 anos, que visitou a mostra de olhos vendados. ''Só identifiquei que o desenho era uma flor ou uma araucária depois que fiz a relação com a maquete e toquei na planta. Os cegos precisam ter muita habilidade'', raciocina ela, enquanto descobria a idade de uma árvore, contando os anéis demarcados no tronco.
Viver a experiência não tem idade. O pequeno Vítor Alexandre, de 3 anos, também vendou os olhos para visitar a exposição, acompanhado da mãe, a dona-de-casa Marli Farias, 39 anos. ''Ele ficou bem empolgado e dizia que a escrita em braile era um monte de bolinhas. Mas teve a paciência de conhecer tudo sem ver. Achei interessante a iniciativa para sensibilizar as pessoas'', conta Marli.
De acordo com a bióloga Renata Hellen Peres, a exposição pode ser levada para outros lugares. O agendamento pode ser feito pelo telefone (41) 3264-7365. ''A mostra é uma forma de oferecermos o conhecimento da botânica para as pessoas cegas e também de inclusão social. Para quem enxerga é uma oportunidade de valorizar a forma como os deficientes visuais conhecem o mundo, pelos detalhes. Tem gente que chora quando sai da exposição'', disse Renata.


