Exposição mostra artesanato feito por adolescentes
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Tapetes, peças de cerâmica, bordados, esculturas em madeira são algumas das peças que estão em exposição no saguão da Prefeitura de Londrina desde a manhã de ontem. Todos os produtos foram produzidos pelos 88 alunos do Projeto Oficina Pedagógica (POP), desenvolvido pela prefeitura. A coordenadora do POP, Fátima Vidotti Rezende, de 49 anos, conta que as peças poderão ser compradas a preços reduzidos. A exposição termina hoje e pode ser visitada das 9 às 15 horas.
O projeto atende adolescentes de todas as regiões de Londrina, em situação de risco social e pessoal. Os alunos têm idade entre 14 e 18 anos e participam durante dois anos das oficinas do projeto. Além disso, os jovens têm aulas teóricas sobre comportamento no ambiente de trabalho. ''Nosso objetivo é prepará-los para o mercado de trabalho. Para isso, trabalhamos em parceria com a Legião da Boa Vontade (LBV) que oferece cursos de computação e também com a Fundação Pestalozzi que oferece cursos de manicure e cabelereiro'', explica Fátima.
No total são quatro oficinas: agulhas, papietagem, marcenaria e tear. Os alunos aprendem a confeccionar peças em crochê, tricô, bordados e patchwork. Além disso, produzem o tecido que será usado para produzir tapetes e chales. Segundo a coordenadora, o projeto também ensina a comercializar os produtos. ''Até conseguirem um emprego eles podem trabalhar de maneira informal'', comenta Fátima.
A adolescente Valquíria Santos da Silva, de 15 anos, está no projeto há quase um ano e vê na exposição a possibilidade de vender suas primeiras produções. ''Até agora eu só passei pela oficina de papietagem, mas pretendo fazer todas''. A coordenadora do projeto explica que se algum aluno se adaptar melhor a uma única oficina ele não precisa passar pelas outras. Valquíria acredita que, após deixar o POP, ela poderá fazer bordados em casa para ajudar na renda.
Já a professora da ofina de agulhas, Vilma Mostachi, de 51 anos, ressalta a importância do trabalho artesanal no desenvolvimento da concentração desses adolescentes. ''Eu sempre tento mostrar para eles que o mercado informal está crescendo no Brasil.'' Segundo Vilma, alguns alunos das oficinas têm sido bem sucedidos após saírem do POP e mesmo assim continuam a visitá-los. ''A gente cria vínculos e é uma felicidade saber que eles estão encaminhados'', completa a professora.


