Os proprietários de floriculturas de Maringá estão revoltados com os organizadores da Expoflor, que está comercializando flores a preço de produtor durante toda semana na praça do Centro de Convivência Comunitária. Promovida pelo Lions Clube Cidade Canção, a exposição trouxe cerca de 250 variedades de flores de Holambra (SP), através da cooperativa de produtores. ‘‘Estão vendendo um vaso de violeta que eu pago R$ 1,20 a R$ 1,40 por R$ 0,90’’, reclamou Vera Lúcia Peroni, dona de floricultura. Ela acha que os organizadores deveriam ter convidado comerciantes da região, principalmente os produtores para participar do evento.
Os empresários não se conformam também da realização da Expoflor em plena semana de Finados. ‘‘Seria nossa oportunidade de sair de dois meses sem vendas’’, lamentou Claudenir Ribeiro da Silva. Ele disse ontem que a queda nas vendas já é de 80% desde o anúncio da exposição, no meio da semana passada. ‘‘Estou com o aluguel da loja atrasado e tenho que dispensar um dos dois funcionários que trabalham comigo’’, disse. Eliane Nascimento Silva Costa, que já chegou a promover feira de flores com produtores da região, critica a administração municipal. ‘‘A prefeitura quer gerar empregos e impostos fora de Maringᒒ, afirmou.
Artur Virgílio Arantes, também floricultor, diz que não é contra a exposição, mas da forma como foi organizada. ‘‘O pessoal do Lions fala que a promoção incentiva o consumo de flores, mas o que estamos sentindo é uma queda nas vendas’’. Ele reclamou que o evento foi pouco divulgado e acontece em plena semana de Finados. ‘‘Finados é uma das poucas datas que temos para aumentar as vendas, e este ano estamos cancelando as encomendas, o que vai afetar muita gente em toda região’’, revelou.
Os produtores da região também estão revoltados com a exposição. Márcia Fabri, que tem uma chácara de flores em Maringá, lamentou que nenhum dos produtores tenha sido consultado. ‘‘Se eles queriam fazer uma feira beneficente, que convidassem a gente, pois trabalhamos e geramos impostos’’. Para Márcia, os preços praticados na exposição vão prejudicar os varejistas. ‘‘O consumidor não entende que existe uma rede para a flor chegar até a cidade, e a exposição não tem atravessadores, podendo praticar preços mais baixos’’. Somente ontem, floricultores tiveram cancelados 1.500 pedidos.
O presidente do Lions Cidade Canção, Elon Bragança, diz que a Expoflor é uma parceria entre o clube e a cooperativa de Holambra, e por isso as empresas da região não foram convidadas. ‘‘Nos outros locais onde a exposição foi realizada a venda de flores aumentou’’, garantiu.
Bragança diz ainda que na exposição não tem vaso de crisântemo e flores de corte, as mais procuradas para o Dia de Finados. Segundo Bragança, alguns floricultores da cidade estão elogiando a iniciativa, e muitos compradores são da região e não apenas de Maringá. ‘‘Além de tudo, a renda será revertida para a cirurgia de cataratas em pessoas carentes’’, disse.

mockup