‘‘Tudo pelo Daniel.’’ Declarou, rindo, Lídia de Souza Cândido que, no início da noite de quarta-feira, não escondia a expectativa em relação ao show do cantor Daniel, marcado para as 21 horas, no recinto de shows do Parque de Exposição Ney Braga. Assim como Lídia, aproximadamente 40 mil pessoas – boa parte delas pagou R$ 7,00 pelo ingresso e algumas R$ 8,00 para deixar o carro no estacionamento – foram à ExpoLondrina 2002 para assistir ao espetáculo.
Além de sintetizar a motivação de ter ido à feira no meio da semana, a declaração de Lídia foi estratégica, porque encerrou a entrevista e livrou o marido Roberto Cândido de continuar na tentativa de justificar o desembolso com os ingressos e o estacionamento. Eles são de Bela Vista do Paraíso, cerca de 45 quilômetros distante de Londrina. E era a segunda vez que compareciam à exposição, com a possibilidade ‘‘de voltar mais uma vez, pelo menos’’.
Roberto Cândido não reclamou dos preços, que considerava normais. ‘‘Estamos vindo atrás de diversão, o que há de sobra por aqui. E só à noite, por causa dos shows. Por isso não achamos que os ingressos e o estacionamento estão caros, mesmo porque jamais conseguiríamos assistir quase de graça a um show do Daniel’’, argumentou.
O contador Antonio Barbosa, de Paranavaí, que estava resolvendo negócios na Feira, acha que os preços também não eram exorbitantes, mas poderiam ser melhores. ‘‘Os custos nas exposições são um pouco mais altos do que os praticados na cidade.’’ Ressalva, porém, que se for para asssistir aos shows ‘‘é barato. Mas é caro para visitar a feira’’. E, enquanto saboreava um espetinho, que custou R$ 1,50, Barbosa sugeriu que se deveria cobrar entradas diferenciadas, para a exposição e para os shows. ‘‘Como aqui é tudo organizado e há espaços distintos para cada coisa, é fácil fazer isso.’’ Mas é taxativo quanto ao valor do estacionamento: R$ 8,00 é muito caro. ‘‘Olha, R$ 5,00 seria um bom preço.’’
Péricles Deliberador, que, por questão de tempo, foi à noite à Exposição em companhia da esposa, Luciani, e do filho Vinícius, de um ano e meio de idade, também achou os preços um pouco ‘‘salgados’’, principalmente do estacionamento. ‘‘Mas a segurança que se tem compensa pagar um pouco mais. E o ingresso também não é caro, para quem vem apenas uma vez’’, disse.
A Lanchonete 25, montada em área de 400 metros quadrados, oferece lanches variados, com preços entre R$ 2,00 e R$ 3,50; porção na tábua – quatro tipos de carne e linguiça – para quatro pessoas, a R$ 20,00; o espetinho, desde o de carne de boi ao de filé de frango, custa R$ 1,50; o cachorro quente sai por R$ 2,00; cerveja e refrigerantes a R$ 1,50. ‘‘Os nossos preços não são diferentes dos das lanchonetes da cidade’’, garante Carlos Vintecinco, dono do estabelecimento. Segundo ele, antes de estabelecer os valores, é feito uma pesquisa na cidade para ‘‘não fugir da realidade e para evitar que alguém saia por aí dizendo que foi roubado’’.
Carlos Vintecinco, que é de Maringá e percorre por ano, 23 feiras em Goiás, São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, conta que participa do evento há 18 anos e que ‘‘aqui, que é a melhor exposição do Brasil. Sempre tive lucro’’. O movimento deste ano tem sido um dos melhores, a ponto do comerciante vender, em média, 400 lanches, 400 espetinhos e 50 tábuas de carne por dia. Ele tem 15 empregados.

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