Londrina – O número de explosões a caixas eletrônicos no Paraná nos primeiros 50 dias do ano aumentou 51% em relação ao mesmo período de 2013. Além de mais ocorrências, as quadrilhas especializadas estão cada vez mais bem armadas e violentas.
Dados do Sindicato dos Vigilantes do Paraná mostram que até ontem foram registradas 41 explosões em equipamentos bancários do Estado, contra 27 no ano passado. Por outro lado, o número de arrombamentos diminuiu, caindo de 16 para cinco. "Mais do que o crescimento deste tipo de crime o que mais nos preocupa é o poder bélico cada vez maior das quadrilhas e a agressividade na forma de agir", ressaltou o presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Soares.
Na última madrugada dois ataques foram registrados contra caixas eletrônicos em Guaraci (Região Metropolitana de Londrina) e Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), onde os bandidos trocaram tiros com a polícia e fugiram. "Na situação de Araucária os criminosos trocaram mais de cem tiros com a polícia. Eles agem em grupos de 8, 10, 12 integrantes, possuem armas muito mais potentes que os policiais e raramente são presos. E tudo isso gera um trauma muito grande na população em geral", apontou Soares.
Em Guaraci, pelo menos quatro homens armados estouram os caixas eletrônicos da agência do HSBC e levaram uma certa quantia não divulgada, porém o dinheiro ficou pintado e picotado por causa do sistema de segurança das máquinas.
Durante a perseguição policial houve troca de tiros, mas o assaltantes fugiram em um Gol vermelho. No local, foram encontradas munições de calibres 380 e 12. De acordo com a Polícia Militar de Rolândia, o carro foi localizado no início da tarde na zona rural de Guaraci. Dois dos assaltantes até foram avistados por um morador da região, mas quando os policiais chegaram eles já haviam desaparecido.
Em Araucária, vários homens invadiram uma empresa, renderam o vigia e detonaram um caixa eletrônico. Os bandidos fugiram em um Honda Civic levando uma quantia não revelada em dinheiro. Na saída do estabelecimento, os criminosos foram surpreendidos por três viaturas policiais e houve intensa troca de tiros. Segundo a PM, a quadrilha usava armamento pesado, de cano longo e ninguém foi preso. O veículo foi encontrado abandonado no final da tarde.
Para João Soares, é preciso investir mais em equipamentos de segurança nos locais onde estão instalados os caixas eletrônicos, além de diminuir a entrada e circulação de dinamites e armas no País. "É preciso mudar também a legislação. A explosão é classificada como furto qualificado. O bandido é preso e cinco dias depois está na rua para responder em liberdade. Explodir um caixa eletrônico demora dois minutos e rende muito dinheiro. Este tipo de crime tem que ser federalizado e prever penas mais pesadas", indicou o presidente do Sindicato.
A Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp), informou que o "combate a este tipo de crime é uma prioridade da administração e por isso foi criada uma força-tarefa com várias entidades: polícias Civil, Militar, Federal, Científica, Exército, bancos e empresas fabricantes de explosivos". De acordo ainda com a Sesp, o Estado triplicou o efetivo do Departamento de Inteligência (Diep) para auxiliar na busca das quadrilhas.

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