Explosão em hospital mata funcionário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de dezembro de 2001
Célia Guerra<br>De Londrina 
Uma explosão na unidade de preparação e esterilização de materiais do Centro Cirúrgico do Hospital Universitário (HU) de Londrina provocou a morte do funcionário de uma empresa que fazia limpeza no setor. O acidente ocorreu por volta das 22 horas de anteontem e teria sido provocado por uma faísca da enceradeira em contato com o produto inflamável utilizado no serviço.
Paulo Roberto de Andrade, 31 anos, era funcionário da Luckma Ltda, empresa contratada para limpar o hospital. Ele manuseava o equipamento quando ocorreu a explosão e teve 90% do corpo queimado. Mantido na UTI em coma induzido, Andrade não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 14h15.
Ontem, a Polícia Técnica investigava as causas da explosão. Os peritos recolheram amostras dos materiais incendiados e dos produtos químicos que eram usados na limpeza das salas. As investigações, entretanto, não têm data para serem concluídas já que os exames químicos dos produtos devem ser feitos em laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que está em greve. Segundo o perito Luís Noboru Marikawa, um exame preliminar do produto de limpeza realizado durante a madrugada comprovou a sua alta combustão.
Ontem pela manhã, o superintendende do HU, Cláudio Camacho, ainda não tinha uma avaliação dos prejuízos causados pela explosão. O fogo provocado pela faísca em contato com o produto químico utilizado na limpeza se espalhou pelas salas do centro de esterilização mas não atingiu equipamentos, pois eles haviam sido retirados da sala para a limpeza. ''O maior prejuízo que tivemos foi a vida do rapaz'', lamentou Camacho.
As sete salas de cirurgia do HU ficaram interditadas e quatro cirugias marcadas para ontem tiveram que ser canceladas. A chefe da divisão de enfermagem do centro cirúrgico e de material, Elizabeth Silva Ursi, pretendia terminar a limpeza até hoje para que alguns procedimentos do centro pudessem ser retomados. Nas salas atingidas pelo incêndio, informou, são realizadas a esterilização de todo o material utilizado pelo hospital. O setor possui uma reserva de material para o uso diário, mas não para a realização de cirurgias.
Numa reunião realizada ainda durante a madrugada de ontem, Camacho alertou o Ministério Público, a Secretaria de Saúde e os demais hospitais da cidade da impossibilidade do atendimento até que a situação no setor fosse normalizada.
A Folha não conseguiu falar com os proprietários da Luckma, Maurício de Moraes e Luciane Garcia de Moraes, mas foi informada que os dois passaram todo a manhã auxiliando no tratamento do funcionário e posteriormente ajudando a família no velório. Andrade deixa esposa e dois filhos.


