Uma explosão de grandes proporções destruiu parte da fábrica da Companhia Cacique de Café Solúvel, localizada na Avenida Tiradentes (Zona Oeste), em Londrina, na madrugada de ontem. O estrondo foi ouvido a quilômetros de distância, segundo testemunhos. Três funcionários ficaram feridos. Foi o segundo acidente grave ocorrido na fábrica em menos de um ano.
As primeiras informações davam conta de que uma caldeira havia explodido, por volta das 3 horas. No final da manhã, a assessoria de imprensa da Cacique, em São Paulo, esclareceu que houve uma ruptura em uma das colunas extratoras da fábrica. ''O equipamento é semelhante a um coador gigante, utilizado para retirar a parte solúvel dos grãos de café'', explicou Paulo Vieira, da assessoria. De acordo com ele, a destruição do maquinário não impede o funcionamento da indústria.
Ainda segundo a assessoria, não havia funcionários na área diretamente atingida. Os operários Eduardo Hilário Nascimento, 25 anos, e Sebastião Augusto Gastaldon (idade não fornecida), que estavam próximos ao local, foram socorridos com ferimentos leves e liberados do hospital já pela manhã. O operador de máquina Cirso Domingos Sanches, 50 anos, morador do Conjunto Parigot de Souza (Zona Norte) sofreu escoriações e fratura nas mãos. Ele teve de ficar internado na Santa Casa de Londrina, onde seria submetido a cirurgia.
Parentes de Sanches que estiveram no hospital contaram que o operário trabalha há 22 anos na empresa, sendo que há oito já podia ter se aposentado. ''Ele quis continuar por amor ao trabalho, apesar de a gente pedir para ele parar por causa do risco de acontecer alguma coisa'', comentou a filha dele, Hosana Silva Sanches Santos, 25.
As marcas da explosão ficaram visíveis na parte externa da fábrica, fazendo dezenas de motoristas que passavam pela Avenida Tiradentes estacionar para espiar os estragos. A parede ao redor do equipamento foi derrubada, e muitas janelas foram quebradas, inclusive as do prédio vizinho ao atingido.
Uma concessionária de veículos localizada do outro lado da avenida também sofreu danos com o impacto da explosão. Uma vidraça de 12 milímetros de espessura se quebrou e duas luminárias de teto cairam. ''Por pouco não caem sobre os carros, aí o prejuízo seria de milhares de reais'', observou o vendedor da empresa Luiz Noivo.
Não é a primeira vez que o funcionário da concessionária sente os reflexos de um incidente na Cacique. Em outubro do ano passado, Noivo perdeu um tio, morto após o rompimento de uma tubulação na fábrica. A vítima era o projetista Franklin de Oliveira Gomes, 68 anos, que fazia a manutenção dos equipamentos e foi atingido pelo vapor liberado no acidente. Ele ficou com 90% do corpo queimado e morreu dias depois. Outro operário, Aparecido Alves, 34 anos, também foi morto. Leandro Moreira Blanco, 21, sobreviveu mas teve queimaduras de 2º e 3º graus.
O filho do projetista, Franklin Gomes Júnior, comentou que a família moveu uma ação contra a empresa, mas não soube informar em que fase está o processo. Ele disse ainda que a perícia realizada na época apontou que, a princípio, teriam faltado equipamentos de segurança na fábrica.
Nenhum representante da Cacique quis se pronunciar sobre o assunto. Em nota oficial, a empresa informou que só vai divulgar as causas do acidente após a conclusão de laudos periciais.

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