Paulo WolfgangLuciano (em pé) e Geraldo: caso raro no Brasil e inédito no ParanáOs peritos do Instituto de Criminalística de Londrina concluíram esta semana as investigações sobre a causa do desabamento de um silo do Moinho Globo, em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), no dia 16 de fevereiro. Parte do depósito desabou após uma ‘‘explosão de poeira’’, provocada por partículas de farinha suspensas no ar, e que afetou um dos pilares de sustentação do depósito. Este tipo de explosão seguida de desabamento, é considerada rara no Brasil e inédita no Paraná.
No desabamento do silo, carregado com cinco mil quilos de farinha, morreram dois funcionários que estavam no escritório e outros três, que carregavam um caminhão, ficaram feridos com queimaduras provocadas pela explosão. Eles foram internados num hospital especializado em queimados, em Marília (SP).
Nas investigações, que levaram dois meses e meio, os peritos Luciano Gardano Elias Bucharles, chefe do setor de Engenharia Legal, e o chefe-adjunto do Instituto, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, concluíram que a estrutura do depósito suportaria o peso da carga de farinha. ‘‘Não foi o excesso de peso da farinha, mas sim um excesso de carga oriunda da explosão que provocou o desabamento’’, comentou Luciano.
Os pilares de sustentação, segundo Luciano, não estavam fixados no chão. ‘‘Com o deslocamento de ar lateral, provocado pela explosão, houve a retirada do pilar de seu eixo, o que ajudou no desabamento’’, informou. No entanto, Luciano disse que não há necessidade dos pilares serem fixos no chão, pois o deslocamento de peso seria na vertical.
A demora na conclusão do laudo ocorreu por causa dos exames de resistência do concreto e das barras de aço utilizadas nos pilares. Este exame só é realizado na Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, que possui laboratórios especializados no gênero. Após a conclusão desses exames, os peritos trabalharam com a hipótese de explosão de poeira.
‘‘É raro acontecer. A grande quantidade de poeira de farinha suspensa no ar e a quantidade idêntica de oxigênio, transformaram o depósito num local propenso à explosão’’, explicou Geraldo. A faísca pode ter saído das máquinas que estavam em funcionamento, ou da rede elétrica. Os peritos não souberam precisar o que procovou a explosão.
O laudo final vai ser encaminhado ainda hoje para o delegado de Sertanópolis, Marcos Antônio Guazzi Belinati, responsável pelas investigações.

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