Ponta Grossa
A explosão de uma granada matou dois militares e deixou outro gravemente ferido durante uma operação de treinamento do 13º Batalhão de Infantaria Blindada de Ponta Grossa (BIB). O acidente aconteceu no final da tarde de anteontem em um campo de instrução do Exército, no município de Reserva, a 130 quilômetros de Ponta Grossa. A granada que explodiu é do tipo ‘‘bocal’’, lançada através de um fuzil.
O terceiro sargento Wilson Carlos Danbroswki, de 22 anos, e o soldado Clemerson Krull, de 23 anos, tiveram morte instantânea. O soldado Pablo Ribeiro, 19 anos, não corre risco de vida mas continua internado no Hospital Militar de Curitiba, com ferimentos graves. O soldado foi operado na madrugada de ontem durante duas horas e meia (das 2h30 às 5 horas da manhã), provavelmente para retirada de estilhaços da granada na mão e no braço, segundo o major Guilherme, responsável pela Comunicação Social da 5ª Região Militar.
Pablo Ribeiro sofreu ferimentos no braço e olho esquerdo e no ouvido direito. Em rápida entrevista à Folha, ele disse que está se recuperando bem, mas não soube dizer quando deixa o hospital e não quis dar detalhes sobre o incidente dizendo que não estava autorizado a falar.
O sargento Wilson Carlos, que estaria operando o armamento, ficou com o corpo praticamente irreconhecível após a explosão. Wilson Carlos, morava em Teixeira Soares, tinha mulher e um filho de dois meses. O soldado Clemerson Krull, era de Ponta Grossa, casado e a mulher estava grávida de um mês de seu primeiro filho.
De acordo com o major Dovanil Ferraz, da 5ª Brigada da Infantaria Blindada, com sede em Ponta Grossa, quando aconteceu o acidente os militares estavam fazendo treinamento de tiro. Os três envolvidos no acidente, segundo o major Guilherme, estavam na área de impacto (raio de 100 a 150 metros da área do tiro), e foram atingidos por um ‘engenho falhado’. Esta área onde as granadas são atiradas é considerada proibida e os soldados não poderiam estar lá. O único ferido, segundo o major, não explicou por quê estava naquele local proibido justamente no intervalo dado entre os disparos dos tiros. Os corpos dos dois militares foram enterrados ontem mesmo, devido ao estado em que ficaram os corpos.
Segundo o tenente Jorge Nascimento, relações públicas do 13º BIB, os acidentes com ferimentos leves são normais e acontecem com frequência. Ainda segundo ele, foi a primeira vez nos 74 anos de história do Batalhão que aconteceu um acidente tão grave. O tenente disse não haver informação sobre as circunstâncias em que aconteceram as mortes.
O Exército abriu Inquérito Policial Militar para apurar as responsabilidades e as causas do acidente. O comando do 13º BIB prefere não fazer nenhuma avaliação sobre o caso, devendo pronunciar-se somente quando estiverem concluídas as investigações.
Durante a explosão mais de 120 militares, entre oficiais, sargentos, cabos e soldados que entraram este ano no Exército participavam do treinamento. De acordo com o tenente, esse é um exercício de rotina, realizado todo ano pelo Exército. Além de granadas, o treinamento envolveu a utilização de outras armas como metralhadoras e morteiros. (Colaborou Filipe Pimentel, de Curitiba)

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