Dois mortos, pelo menos oito feridos e dezenas de residências e estabelecimentos comerciais com telhados e vidros quebrados. Assim foi o final da tarde de ontem no bairro Novo Mundo, em Curitiba, depois da explosão da caldeira de uma madeireira na avenida República Argentina. O acidente aconteceu por volta das 16h45 quando funcionários da empresa perceberam um vazamento de água no equipamento, usado na secagem de laminados e compensados.
A violência da explosão derrubou a chaminé da caldeira, que tinha 27 metros de altura. Ela caiu sobre o telhado de zinco do galpão da madeireira. Duas partes da chaminé foram arremessadas a mais de 100 metros. Um pedaço, que pesava 100 quilos, caiu no quintal de uma casa. Outro pedaço derrubou a cobertura de uma igreja evangélica. As peças de ferro não atingiram ninguém. Metade do barracão onde estava a caldeira se transformou em uma montanha de escombros formados por pedaços de madeira, folhas de zinco e tijolos espalhados pela empresa, terrenos e ruas próximas.
As vítimas da tragédia eram funcionários da empresa: a Indústria Índio de Laminados e Compensados Ltda, que funciona no local há 57 anos. Os dois mortos foram identificados como o operador da caldeira Paulo Parizzi, 22 anos, e o auxiliar Valdomiro Puchapski, 60 anos. Dos oito feridos, segundo o Corpo de Bombeiros, o mais grave era Laércio Padilha, 23 anos, que sofreu queimaduras pelo corpo.
Na hora da explosão, houve pânico na vizinhança. O chão estremeceu. A fisioterapeuta Vanda Cristina Matoso, 32 anos, pensou que o prédio da própria clínica desabava. Ao escutar o estrondo, Vanda contou que a reação foi fugir para a rua. Ela tem uma clínica nos fundos da madeireira e duas pessoas faziam tratamento naquela hora. ‘‘Sempre tive medo. Só o barulho da caldeira, quando soltava o vapor, assustava. Na hora da explosão foi um barulho ensurdecedor. Estava voando pedras e pedaços de telha para a avenida (República Argentina)’’, descreveu.
Não foi o primeiro acidente registrado na madeireira. O proprietário, Carlos Gasparin, 62 anos, disse que há cerca de 20 anos, um incêndio destruiu parte da empresa. Gasparin relatou que os funcionários detectaram um vazamento na caldeira. O dono da empresa disse que eles tentaram fechar uma válvula, mas houve a explosão. Sobre o operador, Paulo Parizzi, o empresário declarou que o funcionário ‘‘era experiente, criou-se no pátio.’’ Com o rosto coberto por fuligem, Gasparin estava no local. ‘‘Não sei precisar o que aconteceu. A água estava normal, a pressão também’’. Ele disse que a última inspeção de segurança foi feita há seis meses.
O funcionário da madeireira, o servente Ademar Barbosa de Souza, 20 anos, saiu correndo ao escutar a explosão. Ele disse que estava a quatro metros da caldeira. Chorando, o primeiro gesto foi abraçar a esposa e os três filhos que encontravam-se numa casa ao lado da madeireira, onde a família mora. Souza reclamou das precárias condições da caldeira. ‘‘Essas fábricas não têm segurança nenhuma, uma dia tinha que acontecer, mas graças a Deus eu vivi de novo.’’

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