Explosão causa 'chuva de pedras' em Ibiporã
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quarta-feira, 15 de março de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Ibiporã ''Nasci de novo.'' Assim a vendedora Edna Aparecida Riguetti definiu a experiência vivida no final da tarde de anteontem por moradores do Jardim Semprebom, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina). Ela lavava a calçada de sua casa quando foi surpreendida por uma grande pedra caindo próxima aos seus pés, causando um forte impacto. Na hora, a vendedora pensou em meteoros, mas na verdade eram pedras que ''voaram'' de uma explosão feita em loteamento localizado a cerca de 500 metros do bairro, para a construção de uma rede de esgoto.
Várias casas foram atingidas e um carro estacionado na Rua Sépio Semprebom teve o vidro traseiro estilhaçado. Ontem os relatos dos moradores eram parecidos: ''Eu estava lavando roupas no fundo de casa quando ouvi um barulho de explosão e começou a tremer tudo. Fiquei muito assustada, comecei a chorar e a gritar pelas crianças, que estavam brincando na frente de casa. Meu nenê estava bem embaixo de onde caíram as telhas. A sorte foi que minha filha de três anos, quando ouviu o barulho em cima deles puxou a nenê'', relatou a dona de casa Geni dos Santos Oliveira.
O motorista Osvaldo Ferreira de Brito, proprietário do veículo atingido por uma das pedras, contou que ia saindo de casa, quando ouviu o barulho e só teve tempo de olhar para cima e ver ''um monte de pedras voando''. Além do carro, as pedras também estragaram o telhado da varanda da residência de Brito, quebrando o piso no lugar onde caiu. ''A explosão foi uma coisa de outro mundo. Podia ter matado alguém.''
Na residência do operário Baltazar Alves da Silva, os estragos se concentraram em um dos quartos da residência. Um guarda-roupa teve a porta destruída e parte do forro caiu. Um telefone celular que estava sobre um criado-mudo também ficou despedaçado. ''Eu estava sentado no sofá da sala, bem ao lado do quarto, com minha netinha no colo. Fiquei tão nervoso que não sabia o que fazer, fiquei correndo de um lado para o outro.''
O delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, informou que, mesmo não havendo ferido, foi instaurado inquérito, baseado no artigo 251 do Código Penal, que trata do chamado crime de explosão (colocar em risco a integridade física ou o patrimônio das pessoas com o uso de explosivo). A pena prevista é de três a seis anos de reclusão. ''Pedras de mais de 20 quilos voaram a grande distância. Foi um milagre não ter atingido os moradores'', disse Belinati. De acordo com o delegado pelo menos seis casas tiveram problemas mais graves. Hoje peritos do Instituto de Criminalística vão até o local para uma perícia detalhada.
O técnico em detonação Orígenes Sidrôneo da Silva, responsável pela empresa que promoveu a explosão, a Sidroneo Engenharia Ltda., de Londrina, explicou que o material utilizado é um granulado de baixo arremesso, mas que em contato com a água tem sua potencialidade aumentada. ''Não percebemos que um bolsão de água havia sido formado no local, provavelmente pela formação geológica e pelas chuvas recentes na área. Na época em que fizemos a perfuração das valetas que seriam carregadas de explosivo, não apareceu água'', disse o técnico.
Segundo o técnico, novas explosões, dentro de 10 ou 15 dias, não estão descartadas. ''Mas faremos uma pesquisa mais apurada do local, antes da detonação'', informou. Ele garantiu ainda que todas as pessoas lesadas serão devidamente indenizadas. ''Graças a Deus os prejuízos foram apenas materiais.''


