Londrina – Longe do imaginário coletivo, existe uma equipe de inteligência que atua prioritariamente nas rodovias federais em busca de pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes. Esse trabalho, realizado desde 2004, culmina em prisões, retiradas das vítimas de locais de risco e também um mapeamento das maiores malhas viárias do País.
De 2006 até hoje, segundo registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 1.140 crianças de até 12 anos e 2.672 adolescentes, foram retiradas de locais de risco em rodovias e estradas federais. Essas ações resultaram também na prisão de 1.662 pessoas envolvidas em crimes contra menores de idade, seja por exploração ou por outros crimes como abuso sexual e abandono de incapaz. Em todo o País, são mais 1,7 mil pontos vulneráveis mapeados.
Em uma projeção regional, o levantamento deste ano aponta que no Paraná 46 crianças e adolescentes foram retiradas das margens das estradas e encaminhadas aos conselhos tutelares ou delegacias especializadas e 19 suspeitos foram detidos. Os dados chamam atenção porque ficam atrás apenas do Estado da Bahia, onde os números são respectivamente, 50 e 11.
"Esse resultado se deve a um grande efetivo, que tem como prioridade retirar essas crianças do grupo de risco. Temos um serviço de inteligência que identifica esses pontos e repassam as informações imediatamente para as equipes operacionais", afirma o inspetor Wilson Martines, chefe da comunicação da PRF no Paraná.
Ele explica que alguns Estados trabalham em um molde diferente, tendo como prioridade, mapear os aliciadores e prendê-los. "Mas acontece que dessa forma a criança permanece no estado de risco. Muitas vezes lançamos mão de prender o ‘cafetão’ ou os próprios pais que acabam aliciando os filhos para não deixar essa criança ser explorada nem mais um minuto. É por isso que o levantamento revela um número alto no Paraná", avalia.
No trabalho de inteligência, policiais se infiltram em locais suspeitos e as situações são filmadas e fotografadas. Com o material em mãos e a constatação do aliciamento e prostituição infanto-juvenil, o Conselho Tutelar é acionado juntamente como o Ministério Público e a Polícia Civil. Nesses casos, é dado o flagrante. Quando se trata apenas de um grupo de risco, o Conselho Tutelar vai ao local para as providências legais.
Martines explica que há diferenças também entre pontos de prostituição e vulneráveis à exploração sexual. "Quando é identificada uma casa noturna onde mulheres se prostituem e sabe-se que lá dentro existem crianças, o procedimento é outro. A polícia fecha o estabelecimento, os proprietários são presos e as pessoas são encaminhadas para a delegacia. Todos vão responder criminalmente", comenta.
Outra situação apontada por Martines são locais, como postos de combustíveis, onde há prostitutas trabalhando e, muitas vezes, acompanhadas dos próprios filhos. "Apesar das crianças não estarem se prostituindo, estão vulneráveis. Nesses casos nós a retiramos desse local porque nosso foco é não deixá-las cair na prostituição", completa.
Pela experiência, o inspetor cita que neste segundo caso é comum a permanência de crianças e adolescentes em postos de combustíveis, se oferecendo para serviços como limpeza de para-brisa, dos pneus ou até mesmo da cabine. "Você imagina o risco que é uma criança entrar em uma cabine de caminhão?", declara.

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