EXPLORAÇÃO INFANTIL REDE DA INSENSATEZ
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) está investindo US$ 2 milhões no Programa de Prevenção e Eliminação da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes na Tríplice Fronteira, região onde características sócio-econômicas fizeram o problema tomar proporções alarmantes.
A constatação de que Foz do Iguaçu, Ciudad del Este (Paraguai), Puerto Iguazú (Argentina) e cidades vizinhas haviam se tornado território de uma rede de exploração foi constatada pelas investigações de duas Comissões Parlamentares de Inquérito, uma da Assembléia Legislativa e outra da Câmara Federal, em meados da década passada.
A partir daí, a região entrou no mapa das preocupações de organizações não-governamentais e de organismos internacionais. Segundo levantamento da própria OIT, são 3.500 vítimas. Entrevistadas por consultores, a maioria das vítimas informou que esta rede seria formada por empresários, autoridades e traficantes.
Domingo passado foi lançada uma campanha para mobilizar a sociedade civil, uma tentativa de fortalecer políticas de prevenção e de punição aos culpados.
Na prática, o programa atende crianças e adolescentes em três níveis. Já foram gastos US$ 200 mil em ''atenção direta''. No primeiro nível, educadores de rua do Programa Sentinela percorrem as ruas de Foz (há um trabalho similar em Ciudad del Este).
Os casos suspeitos são relacionados. Meninas e meninos recebem orientação sobre o programa e os familiares são contactados. Em caso de reincidência, é feito o encaminhamento ao Conselho Tutelar.
No segundo nível, a criança que aceitou o auxílio do programa é encaminhada ao Poliambulatório, uma unidade de tratamento médico-psicológico (são muito comuns vítimas em alto grau de dependência química, principalmente de crack) mantida pela Sociedade Civil Nossa Senhora da Aparecida. O terceiro nível é um centro de convivência, chamado REDEscobrir, onde as vítimas em processo de recuperação recebem reforço escolar e fazem atividades artísticas-culturais. A administração municipal é sócia no esforço e cedeu funcionários para o atendimento.
O programa começou a ser implantado em dezembro e deve terminar em agosto do ano que vem. O objetivo é recuperar pelo menos 300 crianças e adolescentes. Até agora cerca de 200 vítimas passaram pelo primeiro nível. Atualmente, 40 adolescentes estão no terceiro nível.
Suely Ruiz é coordenadora do programa em Foz do Iguaçu. Para ela, o desafio da OIT é conseguir garantir a continuidade das políticas de prevenção e combate depois que o programa for concluído. Confira os trechos da entrevista dada por Suely à Folha.


