Exploração infantil é mundial
Israel Reinstein
Marcelo AlmeidaAdébora: ‘‘A perda de nosso futuro acontece em qualquer país’’A exploração do trabalho infantil tem as mesmas facetas em todas as partes do mundo. A menina Adébora Alves da Silva - representante brasileira da Marcha Global contra a Exploração Infantil, encerrada este mês em Genebra (Suíça) - acredita que as crianças e adolescentes pobres seguem o mesmo destino quando são obrigados a deixar a escola para ajudar no sustento de suas famílias. ‘‘Não importa o país, a perda de nosso futuro acontece em qualquer língua’’, diz Adébora, 15 anos.
Adébora, a quarta filha de uma família com doze crianças, diz que viu situações similares em diversas partes do mundo, onde o trabalho infantil está presente no campo, indústria e outros serviços. ‘‘Muitas pessoas só tomaram consciência disso com a marcha, apoiando a proibição da contratação da mão-de-obra infantil’’, conta a menina, acreditando que isso pode diminuir a exploração.
Apesar da confiança dela, a situação é mais complexa e não se resolve apenas com a proibição. ‘‘Na minha cidade, este ato fez com que aumentasse o número de pessoas pedindo assistência à prefeitura’’, conta Sebastião José Pupio, prefeito de Amaporã, onde vive Adébora. Hoje, na cidade, as 60 bolsas-escola são disputadas por 230 famílias, que antes tinham crianças no trabalho rural. Adébora vai receber uma bolsa de auxílio de organismo internacionais.
A menina diz que conheceu novas coisas na marcha. ‘‘Conheci países diferentes e lugares muitos bonitos, de onde gostaria de trazer as coisas boas’’, diz. O que mais impressionou a menina foi as escolas públicas francesas. ‘‘São melhores que as particulares brasileiras’’, conta.

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