Exploração dos genes está só no começo
Pesquisadores da área de genética ouvidos pela FOLHA garantem que ainda há muitos segredos a serem revelados pelas moléculas de DNA e que a exploração dos genes está só começando.
Professor de genética na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o pesquisador Laurival Vilas Boas afirma que os avanços científicos nestes 25 anos derrubaram os custos, aumentaram a confiabilidade, agilizaram os resultados e ampliaram as possibilidades de aplicação do teste. ''Supondo um caso de acidente aéreo na selva, por exemplo, se achássemos a onça que se alimentou com a carne da vítima seria possível revelar que tal pessoa estava no avião e confirmar que foi uma das vítimas'', aponta.
Vilas Boas comenta que pesquisas ainda mais inovadoras tentam ''ler'' genes responsáveis, por exemplo, pela formação da face, que permitem ''traçar um esboço do rosto de uma pessoa.'' O geneticista reforça que isso amplifica seu uso na esfera forense, como em casos de estupro e identificação de cadáveres, por exemplo.
Biólogo molecular, perito judicial e responsável técnico pelo Laboratório Frischmann Aisengart, de Curitiba, Marcelo Malaghini, prevê que a metodologia atual será substituída por métodos de sequenciamento do DNA. ''O sequenciamento do genoma humano, que demorou mais de 13 anos para ser concluído (em 2006), já pode ser feito em algumas semanas'', aposta.
Malaghini diz que a terapia gênica representará uma revolução ainda maior. ''Parece ficção científica, porém já existem tecnologias baseadas nesta terapia, com resultados limitados e efeitos colaterais diversos. Entretanto, no futuro, a pessoa com uma determinada doença genética relacionada com um gene defeituoso poderá ser tratada com a terapia gênica. Um gene sadio será introduzido por meio de vetores no paciente, substituindo o gene defeituoso e promovendo a cura da doença.''
Ainda assim, é preciso ter cautela quando o assunto são as pesquisas envolvendo o genoma (conjunto de todos os genes de um ser vivo), adverte o professor da UEL. ''Antes, acreditava-se que o genoma humano seria como um manual de instruções e que seria a solução para todos os males. Porém, nestes últimos 25 anos, percebemos que o ser humano é muito mais do que simplesmente este determinismo de se ter um gene e uma característica.'' (L.A.)





