Exploração de minério divide opiniões
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domingo, 16 de dezembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Tamarana - Em 16 anos vendendo a FOLHA em Tamarana (Norte), Lilian Domingos Gonçalves nunca viu tamanho alvoroço quanto o da última sexta-feira. Faltou jornal na cidade. Todos queriam um exemplar para ler a notícia que a FOLHA trazia em primeira mão: uma professora primária de Apucarana conseguiu licença junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para pesquisar minério de ferro em 14 mil hectares no município.
A professora diz que se trata de uma grande jazida e que há grupos empresariais interessados em fazer a exploração. Ainda não há confirmação geológica sobre a existência da jazida e o seu potencial financeiro. A notícia divide opiniões na cidade, principalmente na Zona Rural, onde estão as áreas licenciadas pela professora. A maioria dos proprietários de terras procurados pela reportagem ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre a provável exploração mineral em suas terras. O clima é de desconfiança.
Dono de uma área de 75 alqueires, 28 deles de preservação ambiental, o médico londrinense Alair Alfredo Berbert é contra a atividade mineira no local. Para ele, a cidade pode ter um impulso econômico, porém a natureza pagaria um preço alto demais por isso. A propriedade de Berbert é uma amostra da beleza natural da região. Cortada pelo Rio Branco, esconde uma bela cachoeira e diversas nascentes. ''Fui procurado por este pessoal que quer fazer a exploração. Até pediram para eu assinar uns documentos, coisa que não fiz. Eu não concordo. Eles querem destruir, quero preservar'', disse, convicto.
Criador de carneiros, José Tieo Takahashi se orgulha por acordar e dormir com o canto dos sabiás. Nos 40 alqueires de mata que conserva em sua propriedade, ele conta pelo menos cinco nascentes. Animais como o veado e o quati são avistados constantemente em meio às árvores. No entanto, apesar de amante da natureza, Takahashi é favorável à exploração de minério de ferro na região. ''Recebi a notícia da FOLHA com surpresa. Por aqui ninguém estava sabendo dessa autorização para pesquisa de ferro. Se for comprovada a jazida, será bom para o município e para os proprietários de terras, que terão um retorno financeiro. Quanto ao meio ambiente, confio no trabalho do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que é muito rigoroso'', opinou.
Na Zona Urbana, a história é diferente. Muitos moradores receberam a notícia com entusiasmo, principalmente os comerciantes. ''Recebi a notícia com alegria. Será muito bom para a cidade se tudo isso que foi dito se concretizar'', comentou o farmacêutico Lucimar Garcia. ''É uma notícia fabulosa'', engrossou o coro o comerciante Anacleto da Silva.


